Na tarde do dia 5 de dezembro de 1945, uma esquadrilha de cinco Grumman TBM Avenger deixou a Base Aero Naval de Fort Lauderdale (Naval Air Station Fort Lauderdale) para uma operação de treinamento. Naquele que seria o último treinamento antes da formatura dos cadetes, o esquadrão iria simular um ataque com torpedos e em seguida retornaria à base.

Cada aeronave conduzia três homens (um piloto, um radioperador e um artilheiro), com exceção de uma delas, que conduzia apenas um piloto e um artilheiro, de modo que havia um total de quatorze homens na operação.

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Noventa minutos depois da decolagem, o comandante da operação, capitão instrutor Charles Carroll Taylor, conseguiu se comunicar com a base e dizer que eles estavam perdidos. Foi registrada ainda uma conversa por rádio entre o comandante Taylor e outro piloto da Marinha, tenente Robert F. Cox, um instrutor de voo sênior que estava voando próximo e não fazia parte da operação. O último contato do voo 19 foi às 19h04, quando o tenente Cox ainda conseguiu contato com o voo 19. Naquele momento, ele tentava localizar o esquadrão, mas a base de Fort Lauderdale recomendou que abandonasse a área.

O Comandante da Esquadrilha

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Tenente Charles Taylor, com mais de 2.500 horas de voo. Com vasta experiência em combates aéreos, tendo participado de várias missões durante a II Guerra Mundial e tendo instruído mais de 300 alunos.

O Mistério

Os aviões eram aparelhos “Grummans Navais, modelo TBM-3 Avenger, bombardeiros com torpedos, e cada um deles levava bastante combustível para um vôo de mais de mil e seiscentos quilômetros.
A temperatura naquele dia era de 18,3º C, o sol brilhava e havia pequenas nuvens esparsas e ventos moderados de nordeste.
Pilotos que haviam voado antes naquele mesmo dia haviam constatado as condições ideais de vôo.

O Avião 

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Grumman TBF Avenger, ou TBM para as aeronaves produzidas pela General Motors, foi um avião-torpedeiro construído para a Marinha dos Estados Unidos e para os Marines, que participou da II Guerra Mundial entrando em ação em junho de 1942 na Batalha de Midway, durante a Guerra do Pacífico.

O Plano de Voo

O plano de vôo para a equipe do “Vôo 19” foi determinado da seguinte forma:

Seguir uma linha triângular, iniciando na Base Aeronaval de Fort Lauderdale, na Flórida, avançando 250 km para leste, 65 km para o norte, e depois de volta à base de decolagem pelo rumo sudoeste.

O tempo estimado do vôo era de duas horas.
Os aviões do esquadrão 19 decolaram às 14:00′, e às 14:10′ estavam todos no ar.
O tenente Charles Taylor, estava no comando da esquadrilha, guiou o grupo em direção aos baixios Chicken, ao norte de Bimini, onde eles deveriam fazer ataques de treinamento sobre um casco desmantelado de um navio, o qual serviria de alvo.

Tanto os pilotos como os tripulantes eram experientes e não havia nenhuma razão para esperar algo de natureza excepcional naquela missão rotineira do Vôo 19.

Mas algo aconteceu. Por volta das 15:15′, quando o bombardeiro terminou e os aviões deveriam continuar no rumo leste, o radioperador da torre da Base Aeronaval de Forte Lauderdale, que estava à espera do contato com os aviões para saber a provável hora do retorno e transmitir-lhes as instruções de pouso, recebeu uma mensagem extraordinária do lider da esquadrilha. As gravações existentes mostram a conversa:

As Últimas Comunicações 

Lider: (Tenente Charles Taylor): Chamando a Torre. Isto é uma emergência. Parece que estamos fora de rumo. Não consigo ver a terra…. repito… Não consigo ver a terra.

Torre: Qual é a sua posição?

Líder: Não estamos certos da nossa posição. Não tenho certeza de onde estamos… Parece que estamos perdidos.

Torre: Mude o rumo para o Oeste.

Líder: Não sabemos de que lado fica o Oeste. Tudo está errado… Estranho… Não temos certeza de nenhuma direção – até mesmo o oceano parece estar diferente, esquisito….

Às 15:30′ da tarde, o instrutor-chefe dos vôos em Forte Lauderdale captou em seu rádio uma mensagem de alguém chamando Powers, um dos alunos-pilotos, pedindo informações a respeito da leitura de sua bússola, e ouviu Powers responder:

– Eu não sei aonde estamos. Devemos ter nos perdido após a última virada.

O instrutor-chefe conseguiu contato com o Vôo 19, e chamou o instrutor da esquadrilha, que lhe disse:

– Ambas as minhas bússolas estão fora de ação. Estou tentando encontrar Forte Lauderdale… Tenho certeza que estamos sobre as ilhas do litoral, mas não sei a que distância…

O instrutor-chefe depois disto aconselhou-o a voar rumo norte – com o sol por bombordo – até que ele alcançasse a Base Aeronaval de Forte Lauderdale. Mas logo em seguida ouviu:

– Acabamos de passar sobre uma ilhota… Não há mais nenhuma terra à vista….

Isso indicava que o avião do instrutor do Vôo 19 não estava sobre a costa e que toda a esquadrilha, já que nenhum deles conseguia ver terra, que normalmente seguiria em continuação às ilhas baixas da costa da Flórida, havia perdido a direção.

Foi ficando então cada vez mais difícil captar as mensagens do Vôo 19 devido à estática. Aparentemente o Vôo 19 já não podia ouvir as mensagens enviadas pela torre de controle, mas a torre conseguia ouvir a conversa trocada entre os aviões. Algumas se referiam a uma possível falta de combustível – gasolina para apenas mais cem quilômetros de vôo, referências a ventos de 120 km/h, e a desalentada observação de que todas as bússolas, magnéticas ou giroscópicas, de todos os aviões, “tinham ficado malucas”- como haviam dito antes – cada qual dando uma leitura diferente.

Durante todo esse tempo, o poderoso transmissor de Forte Lauderdale foi incapaz de estabelecer qualquer contato com os cinco aviões, apesar das comunicações entre os componentes da esquadrilha serem perfeitamente audíveis.
A esta altura o pessoal da base estava em um compreensível alvoroço, quando se espalhou a notícia que o Vôo 19 havia se deparado com com uma emergência de origem ignorada.
Todos os tipos de suposições a respeito de ataques inimigos (apesar da Segunda Guerra Mundial já haver terminado à vários meses) ou mesmo ataques provocados por novos inimigos, como eles próprios sugeriram, determinaram o envio de um avião de resgate, um bimotor Martim Mariner, hidroavião de patrulha com uma tripulação de 13 pessoas, o qual decolou da Base Aeronaval do Rio Banana.

Às 16:00′ a torre conseguiu ouvir de relance que o Tenente Taylor inesperadamente passara o comando da esquadrilha para um amigo piloto da Marinha, o Capitão Stiver.
Apesar de confusa devido à estática e deformada pela excessiva tensão, uma mensagem compreensível foi enviada por ele:

– Não temos certeza de onde estamos… Penso que devemos estar a 360 km à nordeste da base… Devemos ter passado por cima da Flórida e estar sobre o Golfo do México…

O líder da esquadrilha aparentemente resolveu dar uma volta de 180º na esperança de voltar para a Flórida, mas ao fazer a curva a transmissão começou a ficar cada vez mais fraca, indicando que deviam ter feito a curva na direção errada e que estavam se afastando no rumo leste, cada vez mais longe da Flórida e na direção do mar aberto. Alguns relatórios afirmam que as últimas palavras ouvidas do Vôo 19 foram:

– …parece que… nós estamos…

Enquanto outros radioperadores parecem lembrar-se de mais alguma coisa, tais como:

– Estamos em águas brancas… Estamos compeltamente perdidos…

Nesse meio tempo a torre de controle recebeu uma mensagem enviada poucos minutos apos a decolagem do Tenente Come, um dos oficiais do Martin Mariner, despachada da área geral de onde se presumia estivese o Vôo 19, afirmando que havia fortes ventos acima de dois mil metros.

O Desaparecimento do avião de Resgate 

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Dois hidroaviões modelo PBM Mariner, foram enviados ao local onde houve o último contato da tripulação, mas também desapareceram. Menos de meia hora depois da decolagem, um dos PBM avisou a torre que eles estavam se aproximando da última posição conhecida do voo 19.
Depois de enviar um relatório da posição, não houve mais nenhuma comunicação.

Esta foi, no entanto, a última mensagem recebida do avião de resgate. Logo depois todas as unidades de busca receberam uma mensagem urgente dizendo que eram seis e não mais cinco aviões que haviam desaparecido. O avião de resgate com seus 13 tripulantes também desaparecera misteriosamente.

Mais nenhuma mensagem posterior foi recebida do Vôo 19 em sua missão de treinamento e do Martim Mariner enviado para procurá-los. Um pouco depois das 19:00′ no entanto, a Base Aeronaval de Opa-Locka em Miami captou uma mensagem muito fraca que consistia de:

– FT… FT… – que era o prefixo dos avioes do Vôo 19.

O avião do instrutor do Vôo 19 era FT-28. Mas se esta chamada fosse mesmo do “Esquadrão Perdido”, a hora em que ela foi captada indicava uma transmissão duas horas depois dos aviões presumidamente já estarem sem combustível.

As buscas aéreas imediatas iniciadas no dia do desaparecimento, foram suspensas quando escureceu, mas barcos do Serviço da Guarda Costeira continuaram a procurar sobreviventes a noite inteira.
No dia seguinte, quinta-feira, um imensa esforço de buscas começou às primeiras horas do dia, embora tenha-se provocado uma das mais intensas operações de resgate de toda a história, que envolveu 240 aviões, além de mais 67 do porta-aviões Solomons, quatro destróiers, vários submarinos, 18 barcos da Guarda Costeira, centenas de aviões particulares, iates e barcos menores, e os restantes PBM da Base Aeronaval do Rio Banana. E apesar também da ajuda da Força Aérea e da Marinha Britânica sediada nas Bahamas, nenhum vestígio foi encontrado de nunhuma das aeronaves desaparecidas.

Apesar de todos os esforços realizados nas buscas pelos Avengers do Vôo 19 e do Martim Mariner que partiu em missão de resgate, nenhum vestígio foi encontrado em toda a área vasculhada. Nenhum destroço, nenhum vestígio de óleo ou combustível no mar, nenhum corpo, assentos, asas…..nada nunca foi encontrado.

Em 2001 uma equipe de buscas por acaso encontrou alguns aviões Avenger naufragados no Oceano Atlântico, próximos à áres de Vôo do Esquadrão 19.
A princípio foi concluído que os aviões eram os desaparecidos do Vôo 19. No entanto, após se verificar o número de série das aeronaves, foi concluído que se tratavam de outras aeronaves, mantendo então o mistério sobre o desaparecimento daquele esquadrão e do avião de resgate que os seguira.

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Muitas hipóteses foram elaboradas para explicar o desparecimento do Vôo 19, como “Sequestro” por OVNI’s e até passagem para outra dimensão.

O desaparecimento dos 6 aviões se mantém sem solução até os dias de hoje, sendo o maior mistério sobre aviões desaparecidos de toda a história da aviação.

O que teria acontecido com os Avenger’s do Vôo 19 e com o Martim Mariner que saira em missão de resgate no dia 05/12/1945?
Teriam todos encontrado algum portal que os transportou para outra dimensão, ou haveria alguma explicação plausível para esse caso?
O que explicaria o desaparecimento de 5 aviões militares com pilotos experientes a bordo, e ao mesmo tempo o misterioso desaparecimento do Martim Mariner que saiu em sua busca horas depois.
Seria coincidência, obra do destino ou um acontecimento “Além da Imaginação”?