Em julho de 2001, uma misteriosa chuva vermelha atingiu uma grande área do sul da Índia.

Moradores acreditavam que a chuva era um anúncio do fim do mundo, mas a explicação oficial foi de que a chuva havia sido causada pela poeira do deserto que foi soprada da península Arábica.

Mas Godfrey Louis, um cientista na região, ficou convencido de que havia algo mais incomum acontecendo.

C6681231-69A7-4962-BA29-4E7582D7C76C

Louis descobriu que presentes na chuva estavam minúsculas células biológicas, mas, pelo fato de estas células aparentemente não apresentarem DNA, o componente essencial de toda a vida na Terra, o cientista concluiu que estas células poderiam ser formas de vida alienígenas.

08249B96-4ACF-431C-80B5-F4C3C76A26E9

Foi recolhido a substância para futuras análise, porém é muito cedo para dizer o quê contém o frasco mas certamente, poeira, não é. Também não há indícios de DNA no material porém bactérias extraterrestres, sendo desconhecidas, não precisam, necessariamente, apresentar traços de DNA. As partículas são evidentemente células semelhantes aos esporos de alguns tipos de fungos. O cientista ocupa-se agora em encontrar DNA usando métodos diferentes daqueles usados por Godfrey.

3F3746D8-75A1-4040-89B3-22711E2A9739

Ele acredita que ainda pode ser encontrado o código genético apesar dos resultados negativos obtidos até agora. Se o DNA não for encontrado de modo algum, isto estabelecerá um mistério profundo sobre o comportamento do material reforçando a teoria da “panspermia” ou seja, da explicação extraterrestre.

9D5BF0D2-F940-4562-BF82-7534A328BA69

Além disso, horas antes da precipitação da primeira chuva vermelha, registrou-se um forte som de explosão que abalou os edifícios em Kerala. A entrada de um meteorito na atmosfera da Terra se encaixa nesta circunstância.

50FECB5D-FFF1-4317-81DD-8DA6845EA551

O meteorito poderia ser um fragmento de cometa em passagem nas proximidades da órbita terrena. Este meteorito seria o condutor das bactérias que impregnaram as formações de nuvens produzindo a chuva vermelha. A questão reforça a teoria de cientistas como Fred Hoyle, do Reino Unido (UK), que defende ocorrências semelhantes como desencadeadoras do processo de formação da vida na Terra.

0F07FBC9-782F-4E1B-97D3-F7296ECE902C

Godfrey Louis estuda a chuva vermelha há cinco anos e o comportamento estranho das partículas dá margem, de fato, a especulações ousadas: as partículas, que possuem tamanho e formato de células, se multiplicam por autodivisão embora não contenham DNA – o código que possibilita a reprodução das espécies ao modo da vida na Terra. Esta peculiaridade, inexplicável nos termos da química orgânica conhecida, justifica a hipótese de que as “células-partículas” sejam uma forma de vida extraterrena.

“Esta alegação incrível é que (as células) são, possivelmente, extraterrestres. Esta é uma grande alegação, eu sei, mas todos os experimentos apóiam essa alegação”, disse Louis.

17A7FE07-DF6A-41EB-8980-D5A1E4ACCE72

O trabalho de Louis colocou em ação uma cadeia de eventos, com cientistas no mundo todo debatendo a origem destas células misteriosas.

A principal razão por que as idéias de Louis não foram ridicularizadas imediatamente após seu lançamento foi a relação com uma teoria defendida por dois cientistas britânicos desde a década de 1960.

O falecido Fred Hoyle e o professor Chandra Wickramasinghe foram os principais cientistas a defender a Panspermia, a idéia de que a vida na Terra se originou em outro planeta.

Os cientistas especularam que a vida foi trazida para a Terra por um cometa. Na última década, a Panspermia tem sido cada vez mais levada a sério.

527DCC75-90B4-4607-90FD-454E35897FD9

A agência espacial americana Nasa está cada vez mais interessada na busca por vida extraterrestre.

Encontrar vida em outro lugar do Sistema Solar seria um estímulo vital para a teoria da Panspermia.

Outra divisão da Nasa está dedicada ao estudo de batérias encontradas na Terra que podem sobreviver a condições extremas.

Encontrar estes tipos de batéria pode tornar mais provável a sobrevivência de microrganismos durante uma viagem pelo espaço, em um meteorito.

“Bactérias precisam aguentar o frio extremo do espaço, o vácuo, radiação ultravioleta, raios cósmicos. Parece querer muito de uma bactéria. Mas, do que sabemos, a sobrevivência no espaço é mais ou menos garantida. Bactérias parecem ter nascido para serem viajantes do espaço”, disse Wickramasinghe.

Investigação

A BBC acompanhou o professor Wickramasinghe em uma viagem à Índia no meio de 2006 para investigar o fenônemo da chuva vermelha.

Junto com Louis, os cientistas visitaram pessoas que testemunharam a chuva.

Wickramasinghe examinou o trabalho de Louis, que mostra que a chuva vermelha pode se duplicar a 300º C, um atributo essencial de um microorganismo que teve que aguentar temperaturas extremas.

Tudo isso convenceu Wickramasinghe de que a chuva vermelha é uma forma de vida alienígena.

“Antes de vir, tinha grandes dúvidas se a chuva vermelha era mesmo uma indicação de vida vinda do espaço, nova vida vinda do espaço”, disse.

“Mas, refletindo e depois de conversar com Godfrey (Louis), vou acreditar que (a chuva vermelha) representou uma invasão de micróbios do espaço”, acrescentou.

Muitos cientistas permanecem céticos. Mas se Wickramasinghe e Louis estiverem certos, será a mais forte prova de que a teoria da Panspermia Cósmica trouxe a vida para o Planeta Terra, são  partículas de vida que teriam caído na Terra acompanhadas de cometas e meteoros. Essas partículas seriam como esporos prontos para germinar. Acredita-se que essa hipótese tenha sido proposta inicialmente no século V a.C., na Grécia.

Baseando-se nessa teoria, pode ser que toda a galáxia tenha sido bombardeada com essas formas de vida ou substância precursora, portanto, não há motivos para que não possa existir vida em outros planetas.

Essa teoria apresenta ainda diversas dúvidas, tais como: De que forma esses micro-organismos viajaram pelo espaço, suportando todas as suas adversidades? Além disso, como eles foram formados em outros locais?