Se você viu a série Star Trek, então já ouviu falar em dobra espacial ou (warp drive em inglês) é uma forma de propulsão mais rápida que a luz (Faster Than Light ou FTL). Geralmente, ela é representada como sendo capaz de impulsionar uma espaçonave ou outros objetos a muitos múltiplos da velocidade da luz, ao mesmo tempo que evita os problemas associados a dilatação do tempo. Ela também é apresentada no jogo de computador Stars! e no filme Starship Troopers, bem como nos jogos de computador StarCraft e Eve Online. Assim como no jogo Destiny lançado para PlaySation 4 e Xbox One. Não é capaz, via de regra, de criar uma viagem instantânea entre dois pontos a velocidade infinita, como tem sido sugerido em outras obras de ficção científica usando tecnologias teóricas tais como hiperdrive, salto hiperespacial e Motor de Improbabilidade Infinita. Ela é denominada FTL (Faster Than Light) nos romances Titan. Uma diferença entre a dobra espacial (ou warp drive) e o hiperespaço é que, diferentemente do hiperespaço, a nave não entra num universo ou dimensão diferente, ela cria uma pequena “bolha” de tempo-espaço normal ao seu redor. Naves em dobra podem interagir com objetos no espaço normal.

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O conceito da dobra espacial como meio de propulsão tem sido tema de discussão teórica entre alguns físicos(tais como Miguel Alcubierre, ver Propulsão Alcubierre), e vem sendo pesquisada atualmente pela pesquisa de Dr. Harold “Sonny” White, chefe do Tema de Propulsão Avançada do Engineering Directorate da NASA.

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E as viagens? Como seriam?

Imagine dois pontos nas extremidades de uma folha de papel de 30cm de comprimento. Para uma formiga percorrer esses 30cm seria o caminho mais curto de se deslocar de um ponto ao outro. Se essa folha é dobrada, e esses pontos são colocados próximos um do outro, para essa formiga, ainda assim, percorrê-los seria o caminho mais curto, porque só pode se movimentar no espaço bidimensional, que é a folha de papel. Mas um mosquito, que é capaz de se mover no espaço tridimensional (voando), poderia transpor esses dois pontos movimentando-se apenas alguns milímetros.

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A teoria de viagem através de dobra espacial baseia-se no conceito acima e na Teoria da Relatividade de Albert Einstein, a qual afirma que as grandes massas de gravidade aglomeradas criariam fendas no espaço-tempo, que concentrariam não só massa e energia, mas o próprio tempo junto. Essas curvaturas seriam imperceptíveis aos nossos olhos, assim como a curvatura da Terra é para quem está nela. Essa teoria também sugere um universo multidimensional, com pelo menos 3 dimensões de espaço e 1 de tempo. Baseando-se nisso, a Teoria da Dobra Espacial sugere que aplicação de certa força poderia criar uma “ponte” entre duas partes dessa fenda por uma “quarta dimensão” e, assim, “dobraria” o espaço.

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Para executar a dobra espacial, um propulsor de dobra criaria uma espécie de funil, estreito à sua frente e largo à suas costas, e logo depois dilataria sua frente, comprimindo suas costas, pelo qual passaria a espaçonave envolta em sua bolha de dobra. Quando a nave adentrasse na dobra espacial (Buraco de Minhoca), ela seria automaticamente impulsionada pela dobra espacial e atravessaria quase que automaticamente para o outro lado do buraco de minhoca.

Um exemplo seria um tubo de 1,0 metro de diâmetro que se afunila para 0,5 metro, o fluido que corre forçado pelo seu interior a, digamos, 100 unidades de força, passaria bem mais rápido pelo diâmetro menor. E se houver outros afunilamentos sucessivos até às medidas nanômicas, esse fluido (agora teria que ser um superfluido, como o Condensado de Bose-Einstein) estaria transitando a velocidades espantosas, principalmente se a força que o empurra fosse aumentada para 1.000.000.000 de unidades de força, e o diâmetro do tubo voltar a ser igual ou maior de 1 metro ao final.

Nesta hipótese, a nave se achataria e afunilaria até se transformar em um fio do diâmetro de alguns átomos, atingindo um comprimento de alguns anos luz, ou seja, todos os átomos da nave, inclusive os dos seus tripulantes, se ordenariam em fila indiana até o limite permitido de todas as suas ligações quânticas, se comportando como um superfluido, isso em alguns segundos, alcançando estrelas facilmente apenas pelo tamanho que se transformou o fio.

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A possibilidade de comprimir átomos num pequeno espaço é o que se vê nos buracos negros.

A construção do motor de dobra espacial talvez seja possível utilizando-se das propriedade quânticas do espaço. Cientistas descobriram com um experimento denominado Efeito Casimir, onde as chamadas partículas virtuais presentes no vácuo quântico ajudam a diminuir e expandir o espaço. Neste experimento duas placas de metais são colocadas lado a lado, as partículas virtuais expandem o espaço em volta da placa e diminuem o espaço interno entre as placas. Com este fato torna-se possível criar um motor de dobra espacial. Para tanto bastaria aproveitar as partículas virtuais presentes no vácuo quântico. Um motor de dobra espacial absorveria partículas virtuais diminuindo o espaço a frente e expeliria partículas virtuais expandindo o espaço atrás.

Outra forma possível de criar o motor de dobra espacial foi apresentado no documentário O Universo, que consistiria em canalizar a energia de um mini buraco negro ( que cria uma intensa curvatura do espaço-tempo devido a sua densidade) pendurado na parte da frente da nave para contrair o espaço a frente, e utilizando a energia escura (que é responsável pela expansão do espaço físico do Universo) para expandir o espaço atrás.

Nasa anuncia  a construção de uma nave Enterprise Real em Breve

a NASA liberou imagens do design que deverá ser empregado na sua Entrerprise. Sim, uma nave do tipo está em desenvolvimento e leva mesmo este nome.

 

O projeto teve início em 2012, e vem sendo liderado pelo doutor em física Harold White, que dedica suas pesquisas em formas de impulsionar naves com rapidez próxima à velocidade da luz (algo em torno de 300 mil quilômetros por segundo). Em outras palavras, White e sua equipe trabalham para criar uma tecnologia de “warp drive” ou, em português, “dobra espacial”.

O conceito de warp drive tem como base a Teoria da Relatividade de Albert Einstein. Dela se extrai a noção de que espaço e tempo são relativos e que, portanto, o uso de determinados níveis de massa e energia pode criar uma dobra no espaço que faz com que distâncias possam ser encurtadas.

O trabalho desenvolvido pela equipe de Harold White é condizente com a teoria do físico Miguel Alcubierre que, basicamente, aponta que é possível criar um equipamento de dobra espacial sem violar as leis da física, o que significa que a nave não vai sofrer danos ou mesmo ser destruída durante as viagens.

A lei de Einstein que diz que nada pode se mover mais rápido que a luz também é respeitada: durante as viagens, a nave encurta as distâncias dobrando o espaço em seu entorno, mas do ponto de vista local, o equipamento não supera a velocidade da luz.

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O artista gráfico Mark Rademaker se juntou à equipe de Harold White para criar o desenho do que pode vir a ser a Enterprise “real” – por eles chamada de IXS Enterprise. As imagens mostram uma aeronave acoplada ao centro de dois gigantescos anéis que seriam responsáveis por sua propulsão, isto é, pelo efeito de dobra.

Segundo a equipe de cientista o projeto ainda está longe de sair do papel, muitas dúvidas, As expectativas deles são grandes: novos cálculos indicam que é improvável que um mecanismo de dobra espacial possa resultar na aniquilação de estrelas (um “temor” que surgiu há algum tempo) e que a quantidade de energia necessária para as viagens não é tão assustadoramente grande quanto se pensava, por exemplo. Vai demorar muito, mas dá mesmo para acreditar que realmente chegaremos lá.