Talvez o mais fantástico entre todos os casos contemporâneos seja o desaparecimento inexplicável de uma vila inteira de esquimós com 2 mil pessoas, localizada às margens do lago Anjikuni, em 1930.”

Até hoje as autoridades canadenses não foram capazes de resolver esse enigma ou entrar em contato com membros ou descendentes daquela tribo. É praticamente como se ela jamais tivesse existido.
O mistério surgiu em novembro de 1930, quando um caçador de peles valiosas de nome Joe Labelle entrou, caminhando pela neve, na familiar vila de barracas existente nas proximidades do lago Anjikuni, no Canadá (Coordenadas GPS Referenciais: Latitude / Longitude = 62°23’16.63″N, 101°20’14.21″W), encontrado-a completamente deserta.

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Apenas duas semanas antes, a última vez em que Labelle estivera lá, a vila era um assentamento agitado e cheio de vida, com crianças correndo e fazendo algazarra, velhas carregando roupas, homens carregando madeira e conversando nos alpendres.

Agora ao invés das amigáveis saudações de acolhimento, Labelle foi recebido por um silêncio sobrenatural.
Sem encontrar viva alma, o caçador procurou desesperadamente por pistas que o levassem a explicar a situação.
Absolutamente em vão. Os caiaques dos esquimós continuavam ancorados como de costume, suas casas guardavam os artigos essenciais dos habitantes da vila: seus tapetes e rifles. Nas fogueiras apagadas do acampamento, encontravam-se os familiares potes de cozido de carne de caribus (cervo) congelados, que consistiam no prato rotineiro da tribo.

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Tudo estava no lugar certo, com exceção das pessoas.
Era como se a comunidade inteira de duas mil pessoas tivesse deixado subitamente as suas casas no meio de um dia normal.

Dessa vez, porém, nem mesmo os animais dos habitantes locais foram encontrados. Intrigado o caçador passou a procurar pistas que o levassem aos moradores do local.
Labelle logo notou algo muito estranho, as casas estavam abertas e os caiaques dos esquimós estavam nos seus lugares de costume, logo os antigos habitantes desse vilarejo não teriam abandonado o local. E se eles tivessem abandonado o fizeram as pressas, talvez sem qualquer intenção de voltar.
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Ele investigou cada uma das cabanas e barracas na esperança de achar sinal de vida ou ao menos um indício do que havia causado uma migração forçada, mas para seu desapontamento, descobriu nas cabanas estoques de comida, armas e peles, que jamais teriam sido deixadas para trás.
Ao entrar numa cabana, encontrou o lugar vazio. Na lareira ele encontrou uma panela com cozido de peixe, que havia sido abandonada no fogo. O conteúdo estava queimado como se estivesse permanecido no fogo por muito tempo. Mas o mais estranho era que ainda haviam brasas na lareira, indicando que as pessoas viviam nesse local não tivessem partido a muito tempo.
Em outro abrigo, encontrou uma mesa posta e restos de comida ainda nos pratos. Em outra achou um casaco descartado no chão, ainda com agulha e linha, como se a pessoa que estivesse costurando tivesse sido abruptamente interrompida.
Não havia sinais de luta ou confusão (se a vila tivesse sido atacada por saqueadores, os habitantes teriam reagido), tudo estava em perfeito estado com exceção das pessoas e animais que haviam sumido. Era como se a comunidade inteira, composta por cerca de duas mil pessoas, tivesse deixado suas casas no meio de um dia normal. Mas isso não fazia o menor sentido.
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Ele também inspecionou o depósito onde os peixes eram guardados e percebeu que nada havia sido removido. Se a vila tivesse sido atacada por saqueadores, porque eles não levaram o estoque de peixes dos Inuits?
Ao longo de suas investigações pelo local agora deserto uma pontada de incerteza e medo passou a atormentar Labelle. Ele havia notado algo realmente perturbador, e tal fato começava a incomodá-lo: não haviam pegadas, nem rastro no chão, que indicasse que o povo tivesse saído do local.
Joe Lebelle era caçador, logo ele estava muito acostumado a seguir rastros de animais, portanto não seria difícil para ele encontrar rastros de um grupo de quase duas mil pessoas que tivessem batido em retirada de seu vilarejo, mesmo que isso tivesse acontecido a vários dias. Algo muito terrível deve ter acontecido no local nas últimas duas semanas e isso começava a encher Lebelle com um gigantesco temor.

As investigações

Tomado pelo medo, Joe Lebelle seguiu noite adentro, enfrentando temperaturas geladas da madrugada, desistindo da sua ideia inicial que era se abrigar junto aos Inuits, para fugir da tempestade que se aproximava. Ele enfrentou a tempestade seguindo rumo ao escritório telegráfico do distrito mais próximo e alertou a Real Polícia Montada do Canadá.
Exausto, ele foi ajudado pelos guardas e contou o que havia visto, sendo enviada uma mensagem de emergência para o quartel da Royal Canadian Mounted Police, a polícia montada canadense.
Os canadenses nunca tinham ouvido história parecida, e uma expedição foi imediatamente organizada a fim de investigar a vila, sendo também empreendida uma busca ao longo das margens do lago Anjikuni. Ao chegar no acampamento deserto, os policiais canadenses encontraram duas novas evidências que insinuavam a possibilidade de que houvesse ocorrido um evento sobrenatural.
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Em primeiro lugar, descobriram que os esquimós não levaram os seus trenós puxados por cachorros, como Joe Labelle afirmou de início. Estranhamente, as carcaças dos huskies foram encontradas cobertas de neve acumulada pelo vento nas cercanias do acampedamento. Eles morreram de inanição.
Em segundo lugar, o relatório dos policiais que conduziram a busca revela que o cemitério do vilarejo havia sido profanado. Para acrescentar outro elemento inexplicável, os policiais verificaram que a terra do cemitério havia sido removida em montes uniformes depositados ao lado de cada sepultura, evidenciando que o trabalho não havia sido realizado por animais escavando. Além disso, o solo estava tão congelado que parecia petrificado e seria impossível escavá-lo à mão.
Os esquimós não poderiam de maneira alguma ter viajado sem um dos seus meios de transporte típicos, os trenós ou os caiaques. E jamais deixariam seus servos caninos morrerem de uma forma tão lenta e dolorosa, sendo que os cães desempenham uma função essencial para a sobrevivência das comunidades isoladas pela neve e gelo. Ainda assim, eles partiram, e os cachorros foram deixados à sorte.
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O segundo enigma, a sepultura aberta, era o bastante para os etnólogos familiarizados com o comportamento da tribo estranharem, considerando que a profanação dos mortos é um dos mais sérios tabus para para o povo inuit. Qual a explicação para que as sepulturas tenham sido perturbadas?.

Luzes estranhas

Se a história já não estava estranha o suficiente, os oficiais que estiveram no local afirmaram categoricamente que enquanto exploravam os arredores do Lago Anjikuni viram estranhas luzes pulsantes no horizonte. Nenhuma dessas luzes parecia natural ou com algo que eles já tivessem visto anteriormente.
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No caminho até o Lago Anjikuni, o grupo de resgate parou numa cabana que pertencia a um caçador chamado Armand Laurent e ouviram do homem e de seus dois filhos, que algo estranho vinha acontecendo nas últimas noites. Eles haviam visto uma espécie de luz muito brilhante banhando os céus noturnos e estranhos objetos em forma de cilindro sobrevoando a área do Lago Anjikuni. O caçador havia proibido seus filhos de deixar a casa e nenhum deles se separava de seus rifles de caça. Os três contaram que os tais objetos voavam sem produzir o menor som e que por vezes ficavam no céu imóveis. Em certa ocasião contaram mais de 15 deles sobrevoando em diferentes altitudes.
Após, as investigações conduzidas pelo sargento J. Nelson concluíram que os habitantes do vilarejo haviam simplesmente partido em algum tipo de migração sazonal, porém sem nunca rastrear tal rota de imigração ou ao menos explicar por que não havia nenhum rastro recente. Além disso, porque teriam abandonado nas tendas os seus bens mais preciosos, tal como seus animais? Como afirmou um oficial na ocasião: “Esse acontecimento é, de um modo geral, fisicamente improvável.”

A história ganha as manchetes

Em 28 de novembro de 1930, um correspondente especial chamado Emmett Kelleher, foi enviado para cobrir a estória em primeira mão. Ele entrevistou policiais e testemunhas e publicou um relatório dos eventos em um jornal local o “Le Pas Manitoba”.
A manchete com forte apelo sensacionalista e arte condizente causou comoção nacional.
Em sua entrevista, Labelle não poupou detalhes sobre a experiência que marcou sua vida:
“Eu senti imediatamente que havia alguma coisa de errado… ao encontrar os pratos de comida ainda na mesa, eu sabia que eles haviam sido perturbados e pegos de surpresa. Os rifles estavam guardados e nenhum esquimó vai a lugar nenhum sem carregar uma arma… logo eu compreendi que alguma coisa horrível havia acontecido com aquelas pessoas.”
O mistério sobre o que pode ter acontecido jamais foi desvendado e a região do Lago Anjikuni é evitada pela maior parte das tribos inuit desde então. Após o acontecimento circularam várias histórias sobre uma suposta maldição existente na área da tragédia. De fato, nenhuma outra tribo inuit vivia em um raio de 50 quilômetros do estuário.
Tal acontecimento é um absoluto mistério mesmo a mais de meio século depois. Por quem e por quê do desaparecimento, ninguém sabe.