Não é incomum ouvir estórias à respeito de serpentes, criaturas estranhas e monstros marinhos avistados em alto mar. Tais estórias circulam desde o início dos tempos, quando os primeiros marinheiros se lançaram além da arrebentação das ondas, explorando águas desconhecidas.
Menos comuns, entretanto, são as estórias a respeito de monstros aéreos. Mas isso não significa que elas não existam.
Kay Massengill, um grande pesquisador de eventos estranhos encontrou uma série de reportagens publicadas pelos jornais britânicos no ano de 1933.

 

A seguir o texto publicado pelo Western Daily Press, de Bristol em 29 de novembro de 1933:
 
ALARMANTE AVISTAMENTO DE UM MONSTRO ALADO A 1000 PÉS DE ALTITUDE
 
Dois pilotos profissionais, Norbert Gary e Alan Butler, este último conhecido pelos seus vôos de longa duração, comentaram uma inusitada ocorrência na última noite enquanto voavam de Stag Lane para Heston.
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O veículo conduzido pelos dois, um PB-12 da Companhia Gloster, realizou um pouso forçado depois de quase colidir com o que o Sr. Butler definiu como “uma estranha criatura que se deslocava pelo céu impulsionada por asas”. A criatura, “diferente de tudo que já se viu nos céus” tinha o corpo longo e delgado, com um diâmetro de mais ou menos um metro e meio e mais de 10 metros de comprimento, sendo semelhante a uma serpente. Ainda na descrição do Sr. Butler o animal possuía duas grandes asas escuras que a impulsionavam velozmente pelos céus.

 
Os dois pilotos contavam ainda com uma testemunha, a Sra Aubrey Sale-Barket, única passageira do voo que viu o monstro e concedeu uma emocionada entrevista à rádio local de Harrow logo depois do pouso. Ela disse que por pouco a coisa não atingiu o avião frontalmente e que conseguiu ver claramente a bizarra criatura. Segundo ela, o monstro voava velozmente e depois de quase se chocar em pleno ar com o veículo, inverteu seu curso de voo e perseguiu o PB-12 por aproximadamente 5 minutos.
“Foram os cinco minutos mais assustadores da minha vida” disse a Srta Sale-Barket aos repórteres, “aquela coisa parecia decidida a derrubar o aparelho” ela contou.
 
O Sr. Gary concordou com a estimativa de sua passageira e afirmou que para evitar um desastre considerou que seria mais seguro realizar uma aterrizagem no pequeno campo de Harrow, mesmo sem a permissão do comissário do pequeno aeroporto.
 
“A urgência da situação ditava uma medida extrema! Eu considerei que seria um risco menor efetuar um pouso forçado do que se deixar derrubar por aquela coisa” explicou o Sr. Gary. O PB-12 fez um pouso forçado na pequena pista cujas dimensões são muito reduzidas para uma máquina desse porte. Felizmente a habilidade do piloto permitiu um pouso bem sucedido apesar do aparelho ter sofrido danos em sua lateral.
 
Após o pouso, o piloto informou ao fiscal da pista, o Sr. Guy Robson o que havia ocorrido e este respeitosamente desacreditou a estória. Entretanto, este repórter ouviu as palavras de mais de uma dúzia de testemunhas que corroboraram ao menos em parte a versão relatada pelos pilotos e pela passageira.
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Várias pessoas afirmaram ter visto um animal “semelhante a um dragão”, voando sobre os céus de Harrow na noite em questão. O monstro teria sido avistado pela primeira vez por volta das 20 horas quando ainda era claro o bastante para ele ser percebido. Depois ele foi visto por volta das 20:35 por testemunhas que desciam a Estrada Surly. A criatura descrita com o uma grande serpente alada, foi vista uma vez mais a cerca de 500 pés de altura, por volta das 21:30. O encontro relatado pelos pilotos teria ocorrido às 22:03. Três testemunhas contaram ainda ter sido atraídas pelo som do avião voando à baixa altitude. Todas corroboraram a estória dos pilotos de que havia uma estranha criatura alada empreendendo perseguição ao aparelho.
 
Segundo o Sr. Gary, o animal iniciou a perseguição a cerca de 980 pés, e abandonou a caçada quando o avião baixou altitude para cerca de 300 pés. A essa altura, ele considerou que seria melhor fazer o pouso.
 
As autoridades estão investigando o caso e planejam realizar um grande inquérito para verificar o incidente.
Uma vez que o caso foi encontrado, detalhes foram procurados a fim de corroborar a estória e de fato, duas citações adicionais foram localizadas:
O primeiro, na revista, The Aeroplane, Volume 45, publicada em dezembro de 1933:
Uma Estranha Estória: 
 
Vários jornais da região de Bristol noticiaram nas últimas semanas avistamentos assustadores, culminando com o quase acidente aéreo de um PB-12 pilotado por dois respeitados aviadores nas cercanias de Harrow. As pessoas afirmam que a contraparte de uma serpente marinha, no caso, uma serpente alada teria sido vista sobre a região. O animal, segundo alguns, uma espécie de dragão, parece voar a uma altura média entre 500 e 1000 pés com velocidade considerável. Aconselha-se aos pilotos que passarem sobre a região de Harrow que prestem atenção no que podem encontrar nessa paisagem.
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Uma fotografia inclusive teria sido publicada nessa edição, embora a veracidade dela tenha sido muito contestada.
Outro artigo, publicado no número 25 da revista Flight International em janeiro de 1933:

DE HARROW 

 
Pilotos afirmam ter tido uma experiência assustadora enquanto cruzavam o espaço aéreo sobre a região de Harrow. O Sr. Alan Butler, tendo a srta Audrey Sale-Barker como passageira, estava voando na direção de Heston vindo de Stag Lane quando quase toparam frontalmente com um tipo de animal alado — supostamentequase do tamanho de um PB-12 — que em seguida empreendeu uma perseguição ao veículo, forçando os aviadores a realizar um pouso forçado. Apesar de ter sido vista com reservas, a estória relatada pelo pilto foi corroborada por testemunhas que afirmaram ter visto do solo, exatamente a cena por ele descrita. 
 
As notícias sobre a estranha criatura parecem ter causado uma espécie de “epidemia de avistamentos” nas semanas seguintes o que levou as autoridades aéreas a considerar uma mudança na rota sobre Harrow.
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Um jornal local, o Bragan News chegou a mencionar que uma antiga lenda romana contada na região sobre uma enorme serpente chamada Barrow Wyvern, que se escondia nos pântanos e charnecas de Harrow. Outros chegaram a dizer que a tal criatura podia muito bem ser uma espécie de pteranodon ou pterodactilo que de alguma forma teria sobrevivido e chegado aos nossos dias.
Seja como for, três meses depois do avistamento, uma segunda equipe de um avião, no caso um PB-10 afirmou ter avistado uma “coisa incomum” enquanto passava sobre Harrow. A coisa,descrita dessa vez como uma enorme “pipa metálica” se manteve ao lado do avião por alguns instantes até desaparecer como se jamais tivesse existido. Uma vez que nenhuma testemunha se apresentou para corroborar a estória, ela acabou sendo esquecida.
Com o tempo, a estória da Serpente Alada também foi esquecida, mas ela ainda constitui uma curiosa descrição de uma “criatura alada” nos gloriosos dias em que voar ainda era uma aventura.