Se você, assim como a maioria das pessoas, já desejou que todos os insetos desaparecessem da face da Terra — especialmente naquelas noites quentes em que os pernilongos não deixam você dormir —, saiba que a sua vida e a de outros seres vivos complexos seria muito pior sem eles! Mas, antes, que tal saber um pouco mais sobre esses bichos?.

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Os insetos compreendem o mais diverso grupo de organismos presentes no planeta, e até o momento existem cerca de 900 mil espécies catalogadas — o que significa que eles representam 80% de todas as espécies que conhecemos. Sem falar que muitos bichinhos não foram descritos ainda pela Ciência, e os entomólogos acreditam que o número de espécies pode chegar a 30 milhões e que existem 10 quintilhões deles vivendo conosco!

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 alguns bichinhos são pra lá de irritantes mesmo, e outros tantos tocam o terror nas fazendas destruindo e devorando as plantações. Também existem aqueles que são venenosos e os que transmitem doenças que podem inclusive provocar epidemias e a morte de organismos complexos (como os humanos e os animais que compõem os rebanhos), assim como aqueles que infestam os nossos animais de estimação e podem deixá-los doentes.

No entanto, a verdade é que muitos insetos são tão pequeninos que nós nem sequer percebemos a sua presença, sem falar que, dos 900 mil que conhecemos, a grande maioria é inofensiva para os seres humanos. Aliás, a existência desses bichinhos é incrivelmente importante para a nossa sobrevivência.

Se os insetos desaparecessem

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Você se lembra do conceito de cadeia alimentar? Então, os seres vivos cuja dieta se baseia principalmente em insetos — como inúmeras espécies de pássaros, répteis e anfíbios — morreriam, e os animais que se alimentam deles morreriam também com o tempo. E isso continuaria acontecendo até que as espécies no topo da cadeia, como os grandes mamíferos (e os humanos inclusive), fossem afetadas. Ocorreria um efeito dominó.

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O pior é que não adiantaria nada se todos esses bichos resolvessem virar vegetarianos para contornar a falta de comida, já que 80% das espécies vegetais que existem no mundo — incluindo árvores frutíferas e plantações que cultivamos — são angiospermas, ou seja, são do tipo que floresce. Pois, para se reproduzir, elas precisam ser polinizadas, e esse “trabalho” é realizado em grande parte por borboletas, abelhas, besouros, mosquitos etc.

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Além disso, sem os insetos para ajudar na decomposição de vegetais e animais mortos que fertilizam o solo, as plantas contariam com menos nutrientes dos que elas precisam para crescer e poderiam acabar morrendo. Ademais, muitos insetos cavoucam o solo, criando cavidades de ar que promovem a oxigenação da terra, e as raízes das plantas não conseguiriam ter acesso a todo o oxigênio de que elas necessitam.

Caos

Agora pense: dependendo da região do mundo, entre 50 e 90% do volume de alimentos e de calorias é proveniente de alimentos produzidos pelas plantas. Só para você ter uma ideia, frutas e vegetais, assim como o arroz, o feijão, o trigo e a batata, são todos angiospermas, também servindo para alimentar os animais que nós consumimos — como aves, peixes e o gado —, o que significa que, até indiretamente, elas vão parar no nosso prato.

Há também o mel e a seda — que estão entre as substâncias de maior valor e importância histórica para a Civilização Humana —, produzidos graças à ação dos insetos; sem eles, ambos deixariam de existir.

Lembra que nós comentamos que os insetos ajudam a degradar plantas e bichos mortos? Sem eles, além da questão relacionada com a fertilização do solo, as carcaças de vegetais e animais — incluindo os corpos humanos — levariam mais tempo para se decompor, e o mundo ficaria cheio de cadáveres por todas as partes. Já pensou?

O mais alarmante de tudo o que explicamos até agora é que o desaparecimento dos insetos da face da Terra, embora seja pouco provável, não é completamente inconcebível. Recentemente, devido à perda de habitat, doenças e ação de pesticidas, milhões de colmeias comerciais e selvagens foram dizimadas.

Além disso, as mudanças climáticas que vêm ocorrendo pelo mundo estão alterando o sincronismo entre o período de incubação de determinados insetos e o ciclo de vida de algumas espécies de plantas. Isso significa que determinados vegetais estão florescendo cedo ou tarde demais, perdendo a chance de serem polinizados pelos insetos, que, por sua vez, acabam perdendo sua fonte de alimento.

Como o aquecimento global tem afetado os insetos

Um dos grandes impactos desse fenômeno é a distância cada vez maior em que os insetos ‘interagem’ com as plantas. Especialmente durante a primavera, existe a tendência dos bichos demorarem mais a polinizar as flores. Tanto a demora desse processo, como a ‘antecipação’, pode fazer com que elas cresçam inférteis.

Uma pesquisa publicada em 2014 revelou, por exemplo, que as andrenas (tipo de abelhas) têm ficado cada vez mais fora de sincronia com a orquídea que precisa de seu polinizador. Isso por conta das mudanças climáticas. De acordo com os cientistas, liderados por Karen M. Robbirt, o tempo úmido da primavera impacta tanto no tempo de crescimento das flores, como na velocidade de voo desses insetos.

Se só essa pequena disfunção da natureza gera um impacto desses, nem dá pra imaginar como o mundo ficaria se eles desaparecessem de vez.

Sabe o que aconteceria se as baratas sumissem?

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O que você faz quando encontra uma barata? A reação mais comum é matá-la, certo? Esse bichinho nojento pode trazer muitas doenças, mas você já imaginou como seria um mundo sem as baratas? “Perfeito!”, dirão alguns. Só que cada espécie no planeta possui a sua função, até mesma as baratas – e olha que existem entre 5 mil e 10 mil espécies diferentes desse insetinho repugnante.

Srini Kambhampati é professor e presidente do departamento de biologia da Universidade do Texas, além de ser um especialista em baratas, e explica o que aconteceria se milagrosamente todas sumissem da Terra. Primeiramente: precisamos encaixar os insetos na cadeia alimentar, e a maioria serve como refeição de aves e de alguns mamíferos insetívoros, como algumas espécies de ratinhos.

Aliás, em algumas regiões do planeta até mesmo os seres humanos se alimentam de insetos, inclusive de baratas. Você teria coragem? Como essas aves e mamíferos não se alimentam exclusivamente de baratas, eles dificilmente iriam se extinguir, mas Kambhampati acredita que o número de indivíduos iria cair consideravelmente.

Quem teria chance de sumir junto com as baratas seriam algumas vespas, que são parasitas apenas dos ovos das nojentinhas. Só que com a diminuição de aves e mamíferos, a cadeia alimentar ficaria mais escassa, levando à redução do número de coiotes, lobos, alguns répteis e gatos. E por favor: um mundo com menos gatos seria muito triste, não acham?

Agora, a principal parte: as baratas se alimentam muito de matéria orgânica em decomposição, que retém grande quantidade de nitrogênio. O especialista em baratas explica que, dessa maneira, elas fazem o nitrogênio voltar para o solo através de suas fezes e que isso é fundamental para a manutenção das espécies vegetais – desde pequenos musgos até grandes florestas. Ou seja, é melhor aprendermos a nos dar bem com as baratinhas, pois elas fazem parte do ciclo sem fim que é a natureza.