Cientistas russos e americanos voltaram a defender, em um artigo divulgado na revista científica Astrobiology, uma teoria de que bactérias encontradas na Terra teriam vindo de Marte, pegando “carona” em meteoritos.

Algumas bactérias existentes na Terra hoje têm a habilidade de tolerar a exposição a níveis de radiação extremamente altos, que matariam outros organismos.

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O mais estudado micróbio resistente à radiação é o Deinococcus radiodurans. Ele pode tolerar doses de radiação milhares de vezes maiores  do que a dose letal para seres humanos e foi apelidado de “Conan, a bactéria” pelos cientistas.

A equipe de cientistas da University of Arizona, nos Estados Unidos, argumenta que essas bactérias só poderiam ter desenvolvido essa habilidade incomum em um planeta como Marte.

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Descobertas recentes de água no permafrost (região permanentemente congelada) em Marte e sinais de água abaixo da superfície em regiões de latitude média do planeta fizeram aumentar a esperança de que ele detenha as condições certas para que haja vida, sustentando essa teoria.

Desidratação

O permafrost de Marte, onde os índices de radiação são cem vezes maiores do que os da Terra, oferece um ambiente plausível para que as bactérias adquiram genes resistentes à radiação.

Mas alguns especialistas dizem que a tolerância à radioatividade é um efeito colateral do mecanismo de defesa que bactérias como a D. radiodurans desenvolveram para se proteger contra a desidratação em ambientes áridos.

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A equipe liderada pelo cientista Alexander Pavlov rejeita esta explicação alternativa.

“Nossa hipótese de uma origem marciana para bactérias resistentes à radiação oferece uma explicação para sua habilidade de tolerar radiação ionizante, um traço que parece não ter valor na Terra”, dizem os pesquisadores no artigo na Astrobiology.

Pavlov e seus colegas argumentam que não há evidência de que o grau de resistência à radiação esteja relacionado ao grau de resistência à desidratação em bactérias.

Além disso, dizem os cientistas, colônias de bactérias expostas a ciclos sucessivos de desidratação e hidratação no laboratório desenvolvem resistência ao ressecamento, como esperado, mas não ficam resistentes à radiação.

Meteoritos

Cientistas contrários à teoria de Pavlov e seu grupo também argumentam que o genoma da bactéria D. radiodurans é muito similar ao de bactérias terrestres comuns, portanto, ela não poderia vir de outro planeta.

Já Pavlov diz que o possível freqüente intercâmbio de bactérias trazidas por meteoritos de Marte à Terra poderia explicar a semelhança.

Segundo a Nasa, cerca de 34 dos 24 mil meteoritos encontrados na Terra foram identificados como vindos de Marte.