A Gravidade

A gravidade é uma das quatro forças fundamentais da natureza, em conjunto com o eletromagnetismo, a força fraca e a força forte. Na física moderna, a descrição mais precisa da gravidade é dada pela teoria geral da relatividadede Einstein, segundo a qual o fenómeno é uma consequência da curvatura espaço-tempo que regula o movimento de objetos inertes. A clássica lei da gravitação universal de Newton postula que a força da gravidade é diretamente proporcional às massas dos corpos em interação e inversamente proporcional ao quadrado da distância entre eles. Esta descrição oferece uma aproximação precisa para a maioria das situações físicas, entre as quais os cálculos de trajetória espacial.

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Do ponto de vista prático, a atração gravitacional da Terra confere peso aos objetos e faz com que caiam ao chão quando são soltos (como a atração é mútua, a Terra também se move em direção aos objetos, mas apenas por uma ínfima fração).

Do ponto de vista cosmológico, a gravidade faz com que a matéria dispersa se aglutine, e que essa matéria aglutinada se mantenha intacta, permitindo dessa forma a existência de planetas, estrelas, galáxias e a maior parte dos objetos macroscópicos no universo. A gravidade é ainda responsável por manter a Terra e os demais planetas e satélites em suas respectivas órbitas, pela formação das marés pela convecção natural, por aquecer o interior de estrelas e planetas em formação e por vários outros fenómenos na Terra e no universo.

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Mas e se pudéssemos “desligar” a gravidade?

Bem, alguns físicos dizem ter certeza absoluta de que isso jamais acontecerá. Mas nada impede que outros cientistas explorem a hipótese.

Com base nos conhecimentos de vários especialistas, reunimos as mais intrigantes explicações sobre os efeitos da gravidade zero sobre a Terra.

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Jay Buckey, físico e ex-astronauta da Nasa, criou uma palestra na qual explora como a ausência de gravidade afeta o corpo humano. Ele afirma que nosso organismo está adaptado para viver em um ambiente onde o campo gravitacional é semelhante ao da Terra.

A reação do nosso organismo

Se passarmos algum tempo morando em algum lugar onde a força da gravidade é diferente, como em uma estação espacial, por exemplo, nosso corpo muda.

Já está comprovado que astronautas perdem massa óssea e força muscular durante sua permanência no espaço. Sua percepção de equilíbrio também se modifica.

A ausência da gravidade traz outros problemas, como explicou Kevin Fong, professor de fisiologia da University College London e fundador do Centro para a Medicina de Altitude, Espacial e Ambientes Extremos.

Segundo ele, por motivos que ainda não estão totalmente esclarecidos, o número de glóbulos vermelhos no sangue cai, causando uma espécie de “anemia espacial”. Qualquer ferimento leva mais tempo para se curar e o sistema imunológico enfraquece. Até mesmo o sono é afetado pela falta de gravidade.

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E isso é o que acontece depois de uma rápida visita ao espaço. “E se fôssemos criados em um lugar sem gravidade?”, indaga Buckey. “O que ocorreria com os sistemas que dependem da gravidade, como os músculos, o coração e as veias?”.

Há fortes indícios de que o corpo humano se desenvolveria de forma totalmente diferente.

O físico relembra um experimento no qual um gato cresceu com um dos olhos permanentemente coberto por um tapa-olho. Como resultado, o animal acabou ficando cego daquele olho. Isso porque o circuito que conectaria o órgão às regiões do cérebro que processam a visão não se desenvolveu, já que o olho não processou nenhuma informação visual.

Tudo indica que o resto do nosso corpo responderia da mesma maneira. Se o coração, os músculos e os ossos não tivessem que reagir à ação da gravidade, nossos órgãos se desenvolveriam diferentemente.

A Falta de Oxigênio e de Água 

Mas, apesar de os efeitos da gravidade sobre o corpo humano a longo prazo serem importantes, se a força simplesmente deixasse de existir de uma hora para outra, teríamos alguns problemas mais urgentes para resolver.

Karen Masters, astrônoma da Universidade de Portsmouth, na Grã-Bretanha, explorou o assunto em um artigo para o site Ask an Astronomer. Segundo ela, o primeiro problema é que a Terra gira a uma alta velocidade, como uma corda sendo girada com uma pedra na ponta.

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“‘Desligar’ a gravidade é a mesma coisa que soltar a corda”, explica Masters. “Tudo o que não estiver unido à Terra sairia voando pelo espaço em uma linha reta até desaparecer da superfície do planeta.”

Pessoas que estivessem dentro de casa ou de algum edifício naquele momento estariam seguras, porque a maioria dessas construções estão tão arraigadas no solo que permaneceriam onde estão, pelo menos por um certo tempo.

Qualquer outro objeto que não estivesse “aparafusado” também sairia flutuando. A atmosfera terrestre, os oceanos, rios e lagos seriam algumas das primeiras coisas que se perderiam no espaço.

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“E claro que todos nós morreríamos”, decreta Jolene Creighton, editora de ciências do site Futurism.

No fim o Apocalipse 

A ausência da gravidade acabaria com o próprio planeta, segundo Masters. “A Terra provavelmente se despedaçaria e essas partes sairiam flutuando pelo espaço”, diz a cientista.

O Sol teria o mesmo destino. Sem a força da gravidade para mantê-lo compacto, a intensa pressão em seu núcleo o faria explodir. Estrelas também acabariam de forma semelhante.

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Toda essa situação – que muito provavelmente nunca vai acontecer – ilustra como a gravidade é fundamental para tudo o que existe no Universo.

Mas trata-se de uma das quatro forças fundamentais que regem o Universo. As outras três são igualmente cruciais: sem o eletromagnetismo, sem a força forte e sem a interação fraca, os próprios átomos iriam se desintegrar.