A Estrela de Barnard é uma estrela anã vermelha, de pouca massa que fica na constelação de Ophiuchus e foi descoberta em 1916 pelo astrônomo E. E. Barnard. A estrela se encontra a uma distância de quase 6 anos-luz, uma das estrelas mais próximas de nós, somente as três estrelas de Alfa Centauri estão mais perto.

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Barnard também observou que é a estrela com o maior movimento aparente, visto da Terra (10,3 segundos de arco por ano).

O Sistema Planetário

Em novembro de 2018 foi anunciada a descoberta de um planeta extrassolar orbitando a Estrela de Barnard, detectado pelo método da velocidade radial a partir de uma campanha de observação intensiva que durou 20 anos. Um total de 771 dados de velocidade radial foram coletados em sete observatórios diferentes, entre 1997 e 2017, revelando com alto nível de significância um sinal com um período de 223 dias e uma semiamplitude de 1,2 m/s. Esse sinal é melhor explicado pela presença de um planeta em órbita. Um segundo sinal de aproximadamente 6000 dias também. foi detectado, que pode ser causado por um ciclo de atividade estelar ou por um planeta mais afastado.

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O planeta, denominado Estrela de Barnard b, é uma super-Terra com uma massa mínima de 3,2 vezes a massa da Terra, situada em uma órbita pouco excêntrica com um período de 223 dias. Com um semieixo maior de 0,4 UA, está quase na posição exata da linha do gelo do sistema, a partir da qual é possível a formação de voláteis como água. Essa região pode representar um local particularmente favorável para a formação planetária. Devido à baixa luminosidade de sua estrela, o planeta recebe apenas 2% da irradiação que a Terra recebe do Sol, e possui uma temperatura de equilíbrio de menos de 105 K (–168 °C). Esta é a primeira super-Terra descoberta em uma órbita fria.

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A uma distância de 6 anos-luz, esse é o segundo exoplaneta mais próximo já descoberto, já que Alpha Centauri, o sistema estelar mais próximo, também possui um planeta conhecido (Proxima b). A detecção de super-Terras ao redor das duas anãs vermelhas mais próximas não é inesperada, já que evidências observacionais e teóricas indicam que esse é o tipo de planeta mais comum em torno de estrelas de baixa massa. O planeta da Estrela de Barnard é um alvo ideal para detecção astrometrica por uma missão como a Gaia, com um sinal astrométrico mínimo de 0,013 milissegundos de arco (mas), e sua separação angular de 220 mas estará ao alcance de observatórios futuros, embora seu baixo brilho (bilhões de vezes menor que o da estrela) apresente uma grande dificuldade.

A Vida

Além das dimensões semelhantes, Barnard b também está a uma distância em relação a sua estrela que é considerada da mesma faixa daquela que separa o Sol da Terra. “O planeta está localizado a uma distância de 0,4 unidades astronômicas – 40% da distância Terra-Sol – ou 60 milhões de quilômetros de sua estrela”, confirma Ribas.

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Entretanto, como a Barbard é uma estrela fria e de baixa massa, provavelmente duas vezes mais velha que o Sol, ele está em uma zona em que a temperatura média seria de 170 graus negativos – a luz da estrela de Barnard fornece ao seu planeta apenas 2% da energia que a Terra recebe do Sol.

“Este planeta é muito frio, está fora da chamada ‘zona habitável’. Se pensarmos que a água superficial líquida é importante para a vida, este planeta provavelmente não é um bom candidato. No entanto, eu diria que quanto mais podemos aprender sobre pequenos planetas – onde eles são encontrados, do que são constituídos, se têm atmosferas – mais iremos compreender se a Terra é única ou não”, comentou à BBC News Brasil a astrônoma Johanna Teske, pesquisadora do Instituto Carnegie de Washington e uma das autoras do estudo.

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Se Barnarb b está a 60 milhões de quilômetros de sua estrela, a zona habitável calculada para seu sistema seria de 7 milhões a 18 milhões de quilômetros. “Por causa disso, é improvável que a superfície do planeta sustente a água líquida. Por esta razão, a vida superficial no planeta pode ser quase certamente descartada. Estimamos uma temperatura de equilíbrio de 170 graus negativos e é bastante improvável que a temperatura real da superfície seja muito mais alta”, completa Ribas – a temperatura real da superfície foi estimada em 150 graus negativos.

“No entanto, deixe-me salientar que estou falando de água líquida superficial. Há lugares no Sistema Solar que estão fora da zona habitável e que parecem ter água líquida subterrânea, como Europa, lua de Júpiter, e Enceladus, lua de Saturno”, exemplifica o cientista. “Perguntar se a estrela b de Barnard tem um oceano semelhante debaixo de uma camada congelada é apenas especulação neste momento porque sabemos muito pouco sobre a constituição do planeta: que pode ser desde um mundo rochoso a um mini-Netuno, as observações futuras é que devem responder isso.”

É por isso que o físico se apressa em conter os ânimos de quem já imagina um cenário muito parecido com a Terra. “Por enquanto, o que sabemos é que o planeta é maior que a Terra e sua distância orbital não é tão diferente, mas está realmente longe de um mundo parecido com a Terra, já que é muito mais frio”, afirma o físico. “Não temos pistas sobre suas propriedades geológicas.”

“A estrela de Barnard é provavelmente até duas vezes mais velha do que o Sol. Então, como o planeta provavelmente se formou logo após a estrela, provavelmente é mais antigo que a Terra”, conjectura Teske.

“É difícil no momento estimar algo além disso porque não conhecemos sequer o raio do planeta. Se tivéssemos medido o raio, com a massa já medida poderíamos estimar sua densidade média e, assim, lançar hipóteses sobre sua composição. Neste caso, só conhecemos a massa mínima.”

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Barnard

Descoberta em 1916 pelo astrônomo americano Edward Emerson Barnard (1857-1923), a estrela de Barnard é uma anã-vermelha que fica na constelação de Ophiuchus. Localizada a pouco menos de 6 anos-luz da Terra, pelo que se sabe atualmente, é a quarta estrela mais próxima de nosso planeta, perdendo apenas para as três da constelação de Alfa Centauri.