O metano é um gás incolor, sua molécula é tetraédrica e apolar (CH4), de pouca solubilidade na água e, quando adicionado ao ar se transforma em mistura de alto teor inflamável. É o mais simples dos hidrocarbonetos.

As principais fontes do gás metano são:

  • gás natural e minas de carvão;
  • emanação através de vulcões de lama e falhas geológicas;
  • decomposição anaeróbica de resíduos orgânicos;
  • fontes naturais (ex: pântanos);
  • extração de combustível mineral;
  • processo de digestão de animais herbívoros, carnívoros e onívoros;
  • bactérias;
  • aquecimento ou combustão de biomassa anaeróbica.

 

60% da emissão de metano no mundo é produto da ação humana, vindo principalmente da agricultura. Durante os últimos 200 anos, a concentração deste gás na atmosfera aumentou de 0,8 para 1,7 ppm. O metano era originariamente chamado gás dos pântanos e é o principal constituinte do biogás, pois pode ser produzido pela digestão anaeróbica de matéria orgânica, como lixo e esgotos, através de micro-organismos chamados archaea. A altas pressões, como as encontradas no fundo dos oceanos, o metano forma um clatratosólido com a água. Uma quantidade desconhecida, mas provavelmente enorme de metano, está presa no sedimento marinho nesta forma. A liberação deste metano do sedimento é sugerido como possível causa de aquecimento global em eras antigas na Terra, como há 55 milhões de anos, no período Paleoceno-Eoceno.

Metano tem sido detectado ou acredita-se na sua existência em diversos locais do sistema solar. Acredita-se que tenham sido criados por processos abióticos, com a possível exceção de Marte.

O metano pode ser produzido por processos biogênicos e abiogênicos:

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Os processos biogênicos são resultado das reações químicas realizadas por bactérias estritamente anaeróbicas (Archaebacteria) durante a decomposição de matéria orgânica. Estas bactérias são denominadas metagênicas (família Methylococcacea). Elas obtêm energia pela redução hidrogenada do dióxido de carbono, acetato, formato, metanol, CO etc. Podem viver em ambientes extremos com alta temperatura, hipersalinidade e extremos de pH. Contudo, estas bactérias só produzem metano em ambiente anóxico. Os processos abiogênicos são aqueles decorrentes da combustão de material orgânico, especialmente combustíveis fósseis.

Metano em Marte será vida?

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O rover Curiosity, da NASA, explora Marte desde 2012. Em 2013, o robô detectou emissões de gás metano por lá, repetindo a detecção no final do mesmo ano e novamente em 2014, com esse pico de metano abrindo um grande debate sobre as possibilidades de vida marciana. Agora, em 2019, o Curiosity encontrou a maior quantidade de metano já medida durante toda sua missão no Planeta Vermelho.

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Foram encontradas cerca de 21 partes por bilhão de unidades por volume (ppbv) de metano em Marte, o que significa que, se você pegar um volume de ar por lá, um bilionésimo desse volume será composto por metano. A detecção foi feita usando o espectrômetro a laser Sample Analysis at Mars (SAM), a bordo do rover, e a notícia reacende (mais uma vez) a ideia de que, talvez, exista vida microbiana em Marte — aqui na Terra, micróbios são uma importante fonte de metano, mas o gás também pode ser gerado por meio de interações entre rochas e água.

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Como o Curiosity não tem instrumentos capazes de determinar a origem do metano marciano, ou mesmo se ele vem de uma fonte de dentro da Cratera Gale ou não, a NASA reforça que “não temos como dizer se a fonte de metano é da biologia ou da geologia, ou mesmo antiga ou moderna”, nas palavras de Paul Mahaffy, principal pesquisador do instrumento SAM.

A detecção de metano seria uma grande descoberta, pois, como observado pelo Times, ele decompõe-se no período de alguns séculos devido à luz do Sol e às reações químicas — o que significa que teria que ter sido gerado recentemente em termos históricos. Altos níveis de metano poderiam ser gerados no subsolo por micróbios chamados metanogênicos que sobrevivem sem oxigênio e produzem o gás como subproduto metabólico. O cientista do projeto, Ashwin R. Vasavada, disse à equipe de ciência da Curiosity em um e-mail: “Dado este resultado surpreendente, nós reorganizamos o fim de semana para fazer um experimento de acompanhamento”, escreveu o Times.

O cientista Marco Giuranna, do Instituto Nacional de Astrofísica da Itália, que lida com medidas de metano feitas pelo orbitador Mars Express, disse que os cientistas da Mars Express, Curiosity e Trace Gas Orbiter estavam discutindo as descobertas, mas que ainda “há muitos dados a serem processados”.

O rover Curiosity agora foi desviado de seu trabalho científico programado para acompanhar as leituras de metano, de acordo com o Times, com mais dados esperados.