A descoberta é considerada “excepcional” pelos arqueólogos. O que poderia ser o túmulo de Rômulo, o rei fundador de Roma, foi apresentado ao público pela primeira vez nesta sexta-feira, recuperando as origens da Cidade Eterna, há três mil anos. O sítio arqueológico era conhecido pelos especialistas e, em particular, pelo italiano Giacomo Boni (1859-1925), que, desde o século XIX, havia levantado a hipótese de que, no Fórum Romano, ao redor do Comício espaço previsto para reuniões públicas na Antiguidade – poderia haver um “heroon”, monumento erguido em memória de um personagem ilustre, ou heroico, que poderia ter sido o fundador da cidade.

556AE87E-0B82-484E-BCDE-F8472D9F5F1F

Escavações recentes, realizadas pelo Parque Arqueológico do Coliseu, confirmaram essa hipótese ao trazer à luz “um sarcófago de tufo (conhecido por Giacomo Boni) com cerca de 1,40 metro de comprimento, associado a um elemento circular, provavelmente um altar”. De acordo com o Parque, estes dois elementos remontam ao século VI a.C.. “Em suas obras, Giacomo Boni não interpretou esse lugar, apenas o descreveu dizendo que tinha visto uma caixa, ou uma bacia (que corresponde ao sarcófago), e um cilindro de pedra”, declarou nesta sexta-feira à AFP a diretora do Parque, Alfonsina Russo, apresentando o sítio à imprensa pela primeira vez.

3F5F7466-0DD8-459F-8CA2-A3A7219C1FF9

Essa informação foi esquecida por um século, assim como a localização exata do local e foi uma grande descoberta para nós encontrá-la como Boni a havia descrito”, acrescentou. Os responsáveis do Parque Arqueológico esclareceram que é impossível “afirmar cientificamente” que se trata, de fato, do túmulo de Rômulo. “É apenas uma sugestão baseada em fontes antigas que evocam a presença da tumba de Rômulo”, explicou à AFP a responsável pelas escavações, Patrizia Fortini. “É, sem dúvida, um monumento importante. A forma da caixa faz pensar em um memorial, um lugar de memória, mas não tem como dizer o que era realmente”, acrescentou.

56F732AF-42DC-41C7-B12B-159E767E0E6D

A fundação lendária de Roma foi estabelecida em 21 de abril do ano 753 a.C. por Rômulo. Este último matou seu irmão Remo por ter atravessado a demarcação que desenhara para marcar o recinto da nova cidade. Popularizada por autores antigos como Tito Lívio (59 a.C. – 17 d.C.), Ovídio (43 a.C. – 17 d.C.), ou Plutarco (46 a.C. – 125 d.C.), a existência dos dois gêmeos amamentados por uma loba, figura que se tornou símbolo de Roma, sempre dividiu historiadores. Em vez de uma verdade histórica, certos autores, como o alemão Theodore Mommsen (1817-1903), consideraram essa geminação como o símbolo do duplo consulado romano, enquanto o italiano Ettore Pais (1856-1939) viu a oposição entre patrícios e plebeus.

Amamentados pela loba

Popularizada por autores antigos como Tito-Lívio (-59,17) e Ovídio (-43,17), a história dos dois gêmeos amamentados por uma loba – figura que se tornaria o símbolo de Roma – sempre dividiu historiadores.

Conta a lenda que Rômulo e Remo eram filhos do deus grego Ares, ou Marte, seu nome latino, e da mortal Reia Sílvia (ou Rhea Silvia), filha de Numitor, rei de Alba Longa.

Ao saber do nascimento das crianças, Amúlio, um rei tirano, as jogou no rio Tibre. A correnteza arremessou os bebês à margem, onde foram encontrados por uma loba, que teria amamentado e cuidado dos irmãos até que eles foram encontrados pelo pastor Fáustulo, que os criou como filhos.

Rômulo viria a se tornar o fundador da cidade de Roma e o seu primeiro rei.

O Foro Romano está situado entre o Monte Palatino e o Monte Capitolino e era o grande centro da Roma Antiga, onde aconteciam as decisões políticas importantes. Foi durante uma escavação em 2019 que os especialistas encontraram o altar dedicado a Rômulo, segundo os especialistas.

Segundo os especialistas, o altar foi enterrado perto de um antigo santuário batizado de Lapis Niger, localizado abaixo da escada de entrada da Cúria, onde os senadores se reuniam para votar. É lá que os antigos morados da cidade acreditavam que Rômulo estava enterrado — mesmo que nenhum osso tenha sido encontrado dentro do caixão.