Em 1967, Carl Sagan propôs que talvez existisse vida em Vênus. Não é uma hipótese muito popular na comunidade científica, já que os principais candidatos a abrigar organismos no Sistema Solar são algumas Luas de Saturno e Júpiter, e até mesmo Plutão. Vênus é quente e hostil demais para haver vida como a conhecemos em sua superfície, mas e se estivermos olhando para o lugar errado? Um novo estudo sugere que formas microbióticas estariam não apenas vivendo nas nuvens de Vênus, como também alterando a sua atmosfera.

As nuvens venusianas têm algumas manchas escuras muito estranhas, detectadas pela primeira vez pelos astrônomos há quase um século. Elas absorvem a radiação ultravioleta e alguma luz visível do Sol, o que causa efeitos profundos no clima do planeta. Além disso, elas também mostram vestígios de ácido sulfúrico concentrado e outras partículas desconhecidas que absorvem luz.

Pesquisadores ainda não sabem exatamente o que seriam essas partículas e, embora existam algumas sugestões, “nenhuma é capaz de explicar satisfatoriamente as propriedades de formação e absorção”, disse Yeon Joo Lee, o autor sênior do estudo publicado no The Astronomical JHhournal. Ao lado de Sanjay Limaye, co-autor da pesquisa, ele sugere que tais manchas poderiam ser algum tipo de microorganismo que está alterando as condições climáticas do nosso planeta vizinho.

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De acordo com os autores, as tais partículas que formam essas manchas têm aproximadamente o mesmo tamanho dos microorganismos na atmosfera da Terra, e também possuem as mesmas propriedades de absorção de luz. Essa ideia não é exatamente uma novidade, já que o próprio Limaye publicou um estudo em 2018 sugerindo essa mesma possibilidade.

magem de Vênus visto pela sonta japonesa Akatsuki Orbiter (Imagem: Institute of Space and Astronautical Science/Japan Aerospace Exploration Agency)

Ele explica que, da mesma forma que alguns micróbios da Terra são capazes de se alimentar de dióxido de carbono e produzir ácido sulfúrico — condições parecidas com as nuvens de Vênus —, é possível que conglomerados maciços de microrganismos semelhantes possam formar as manchas escuras de Vênus.

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Agora, no novo estudo, os pesquisadores afirmam que isso estaria afetando a atmosfera venusiana. Lee e seus colegas observaram as nuvens de lá usando instrumentos como a sonda Akatsuki do Japão e a Venus Express da Agência Espacial Europeia (ESA), para ver como elas mudam ao longo do tempo. Em um período de aproximadamente dez anos (contando a partir de 2006), a quantidade de luz ultravioleta refletida foi reduzida pela metade e depois voltou ao seu nível original. Isso significa que muito mais radiação solar foi absorvida em alguns pontos do que em outros, o que afetou o clima — especialmente na atmosfera superior.-