Para nós, habitantes da Terra, o Sol parece calmo, mas é na verdade um lugar turbulento onde ocorrem explosões extremas de plasma. Isso ocorre com intensidade ainda maior no período de máximo solar, e é nessa fase que nossa estrela começa a entrar nos próximos anos. Ainda estamos no início do novo ciclo solar, mas a atividade estelar vem aumentando, e prova disso é que há, neste momento, uma mancha solar tão grande que caberiam 10 Terras enfileiradas dentro dela.

De acordo com o Observatório de Astronomia de Patos de Minas, essa mancha um agrupamento de três manchas principais, chamadas AR 2835 (a maior delas e a primeira a ser registrada), 2836 e 2837. Quem encontrou e catalogou as manchas foi o Solar Dynamics Observatory, e a equipe de Patos de Minas fez os registros abaixo através de dois telescópios e filtros adequados para a observação do nosso Sol. À medida que a atividade solar aumenta, veremos mais manchas como estas na superfície solar, ou seja, na fotosfera, uma camada bem fina (considerando as proporções da estrela).

(Imagem: Reprodução/Observatório de Astronomia de Patos de Minas)

Essas manchas fazem parte dos processos que desencadeiam erupções solares e ejeções de massa coronal, bem como o lançamento de radiação e partículas carregadas em direção ao Sistema Solar — o que inclui obviamente a Terra.

O campo magnético do nosso planeta nos protege desses eventos, desde que não sejam muito intensos. Chamamos de tempestade solar (ou tempestade geomagnética) quando uma onda de choque causada por estes eventos causam uma perturbação temporária na nossa magnetosfera.

Um dos eventos que causam as tempestades geomagnéticas são as erupções solares, também conhecidas como “flares”, do termo em inglês. São basicamente explosões na superfície do Sol, causadas por mudanças repentinas no seu campo magnético, resultando em altos níveis de radiação na forma de plasma — uma espécie de gás formado por hidrogênio e hélio eletricamente carregados.

Quando uma quantidade muito elevada de energia é armazenada naqueles campos magnéticos do Sol, acima das manchas solares, uma explosão produz um pulso gigantesco de radiação que abrange espectro eletromagnético, desde as ondas de rádio até os raios X e raios gama. Essas erupções costumam ocorrer com mais frequência na época de máximo solar, que ocorre uma vez a cada ciclo de 11 anos. O próximo máximo solar está previsto para 2024.

(Imagem: Reprodução/Observatório de Astronomia de Patos de Minas)

As manchas solares, erupções, ejeções de massa e as tempestades solares são como “fantasmas” cósmicos. Não podemos vê-los (não sem equipamento adequado), nem sequer senti-los, mas podem causar muito prejuízo. Uma tempestade geomagnética pode afetar satélites de telecomunicação e GPS, ou até derrubar redes de energia elétrica, o que resultaria em uma série de problemas preocupantes.

Por isso, cientistas observam, monitoram e estudam a atividade solar, na tentativa de compreender melhor esses processos e prever com antecedência uma tempestade solar forte. Se isso for possível, autoridades competentes poderão proteger os equipamentos eletrônicos, desativando os sistemas críticos e mantendo apenas o essencial. Assim, os componentes integrados e computadores podem ser preservados.

Fonte: Canaltec