No Mar de Weddell, perto da Antártica, os cientistas encontraram a maior colônia de ninhos de peixes do mundo. Cobre uns impressionantes 240 quilômetros quadrados e contém 100 mil milhões de ovos.

Os cientistas que investigam o solo do oceano Antártico descobriram uma colónia da espécie peixe-gelo de Jonah com 60 milhões de ninhos ativos sob a plataforma de gelo Filchner no Mar de Weddel (Antártida). Sabe-se, agora, que este é o lar da maior colônia de ninhos de peixes do planeta Terra.

Fruto do acaso, Autun Purser e os seus colegas no Instituto Alfred Wegenerna Alemanha, descobriram o local de reprodução de milhões de peixes-gelo de Jonah (Neopagetopsis ionah) em fevereiro de 2021, quando estavam numa expedição para esta região polar que durou seis semanas.

Estavam a bordo do RV Polarstern, um enorme navio de exploração polar concebido para navegar em icebergs, quando encontraram estes milhões de ninhos.

Os investigadores estavam fazendo uma análise de rotina do fundo Mariano quando “tropeçaram” em milhares de ninhos feitos por um tipo de pequeno peixe com barbatanas raiadas tipicamente encontrados no oceano Austral (ou Antártico).

O estudo, publicado há cerca de uma semana na revista Current Biology, estima que a colônia se estenda por cerca de 240 quilômetros quadrados e contenha um valor de biomassa dos peixes superior a 60 mil toneladas.

Características da maior colônia de peixes do mundo

Além de cobrir uma extensão de 240 quilômetros quadrados no fundo marinho e possuir mais de 100 milhões de ninhos, a maior colônia de peixes do mundo localiza-se a mais de 500 metros de profundidade.

Segundo Purser, que foi o responsável pela imagem submarina do navio, os ninhos pareciam círculos azuis no fundo do mar e teriam cerca de 15 centímetros de profundidade.

Cada ninho possuía um peixe adulto e cerca de 1500 a 2000 ovos. “Não sabemos quanto tempo demoram a eclodir ou mesmo quantos irão sobreviver”, disse Purser.

Embora os investigadores já tivessem observado esta espécie de peixe-gelo antes, só tinham sidos vistos em pequenas colônias. Isto porque já houve cientistas, como Katrin Linse, que há cerca de 25 anos atrás visitara esta região numa expedição e, uma das grandes questões era compreender onde estes peixes se reproduziam.

Ainda não é claro porquê ou com que frequência os peixes deslocam os seus locais de reprodução. Assim, para tentarem resolver estes enigmas, os cientistas deixaram duas câmaras no fundo do mar, perto dos ninhos ativos, para tentar capturar imagens dos ovos que eclodem.