O rover Curiosity, robô da Nasa que perambula por Marte, tirou uma foto curiosa na superfície do planeta vermelho. A imagem parece ser uma pequena flor. Os cientistas do projeto deram o nome de “Blackthorn Salt” (Sal de Espinheiro, em tradução livre) para a novidade.

Ao que tudo indica, o material fotografado é constituído de estruturas de minerais precipitantes na água. Para tirar as imagens bem de perto, a equipe de pesquisadores usou o sensor Mars Hand Lens Imager (MAHLI na sigla em inglês) do robô de exploração espacial.

Parece flor, mas não é O tipo de estrutura de minerais identificado na imagem é formado por aglomerados de cristais tridimensionais. Como Marte não tem atualmente água em seu solo, encontrar uma flor parecida com a da Terra seria improvável.

No Twitter, uma das cientistas da missão Curiosity, Abigail Fraeman, comentou sobre o elemento fotografado: “Já vimos estruturas como essas antes, com destaque para Pahrump Hills. Lá, as feições eram feitas de sais, chamados sulfatos”. Segundo a Nasa, Pahrump Hills é um afloramento na base do Monte Sharp, montanha no centro da cratera Gale, em Marte.

Conforme o resultado de estudos realizados anteriormente sobre esse tipo de componente em Marte, chegou-se à conclusão de que o recurso estava “colado” em uma rocha que, com o passar do tempo, enfrentou um processo de erosão.

Porém, os aglomerados minerais não erodiram. Foi assim que a estrutura em formato de flor permaneceu. Em 2013, o Curiosity encontrou outro material que se parecia com uma flor, e o rover Spirit descobriu rochas com um visual semelhante, que ganharam o apelido de “couve-flor” por causa da aparência formada de projeções deformadas.

Em junho de 2004, em um estudo publicado na revista científica Nature, o rover Opportunity encontrou as mesmas estruturas das imagens do Curiosity, também chamadas de concreção. Elas ganharam o apelido de “mirtilos”, devido ao tamanho pequeno e arredondado.

Na imagem, é possível observar concreções redondas em um “objeto” que parece com uma flor. De acordo com o pesquisador brasileiro Alexandre Zabot, doutor em astrofísica e professor do curso de engenharia aeroespacial da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), a formação registrada pelo robô da Nasa é mais uma evidência da ação de erosão por parte de água no solo marciano.

“E é interessante que ela tem resistido até hoje, porque a água em Marte já se foi a alguns milhões de anos”, destaca. Zabot ainda destaca que, a partir do momento em que o solo marciano passou a ser fotografado, várias formações geológicas parecidas com as do planeta Terra foram encontradas.

“Estamos certos que vamos encontrar outras formações como essas, não é uma exceção. Está mais próximo de ser uma regra nas coisas que a gente vai descobrindo em Marte”, conclui.

Como o registro foi feito Em geral, nas imagens feitas pelo sensor MAHLI do solo marciano, os minerais e texturas nas superfícies das rochas são revelados por causa do close-up, que é um plano da câmera bem próximo do elemento fotografado. A câmera do equipamento, por sua vez, é a versão usada de lente de aumento de mão do rover Curiosity — tecnologia geralmente usada por geólogos em trabalhos de campo.