No início de 2008, Christine Lindsey Walters, de 23 anos, tinha toda a vida em ordem e um futuro brilhante pela frente. Uma estudante de Botânica na Universidade de Wisconsin, ela era conhecida como uma jovem inteligente e amigável, além de ser uma estudante aplicada que amava a natureza e se devotava a várias atividades sociais.

Em meados de junho daquele mesmo ano, ela decidiu fazer uma viagem para o oeste; da casa de seus pais onde residia, para visitar Portland, Oregon. Seu objetivo era encontrar um amigo com quem vinha se correspondendo pela internet. O plano em seguida era voltar para casa e concluir as aulas regulares antes do fim do outono.
Não parecia ser nada de mais: uma simples viagem para outro estado, para encontrar um amigo e depois retomar o curso de sua vida. Entretanto, essa simples viagem de verão se transformaria em uma odisseia bizarra para Walters e um mistério jamais resolvido para sua família.


Tudo começou perfeitamente bem. Christine foi para o Oregon e lá se apaixonou pela natureza e estilo de vida das pessoas no estado. Ela decidiu ficar um pouco mais. Nesse período, manteve contato regular com os pais, ligando com frequência e sempre parecendo animada e alegre. Ela acabou fazendo amizade com m um grupo de estudantes e foi convidada por eles a acompanhá-los até a cidade de Eureka, no Estado da Califórnia. Pouco depois, comunicou aos pais que estaria se mudando para esse endereço. Apesar de ser uma decisão intempestiva, Christine garantiu que estava certa do que pretendia fazer e que, assim que fosse possível, realizaria a transferência de seu curso para uma faculdade local.

Apesar dos pais acharem aquilo um tanto estranho, não quiseram se meter na decisão da filha, afinal, ela era maior de idade e tinha o direito de escolher que caminho seguir. Acreditaram que a decisão se devia simplesmente ao espírito aventureiro dela e seu primeiro contato com a independência. Após a mudança, ela telefonou várias vezes, enviou cartas e postais, demostrando que estava muito animada em explorar sua nova casa. Combinou que os pais a visitarem para as festas de ações de graças, quando ela apresentaria o lugar onde escolheu viver.

No entanto, as coisas começaram a tomar um rumo estranho logo depois disso.
Christine começou a se interessar cada vez mais por espiritualidade e crença Nova Era. Ela começou a se relacionar com um grupo de amigos que a introduziram em uma série de rituais e encontros xamânicos. Sabe-se que ela participou de mais de uma “cerimônia de limpeza”, na qual consumia uma mistura alucinógena produzida a partir de uma videira sul-americana, chamada ayahuasca. Em teoria esse ritual visava purificar seu corpo de impurezas e preparar seu espírito para um tipo de transcendência.

Mais ou menos nessa época, ela também se envolveu fortemente com um grupo ambientalista chamado Green Life Evolutions. Os membros compartilharam uma visão particular que contemplava uma “Revolução Harmônica com a Natureza”. Através de ioga, meditação e de certos rituais secretos, os membros acreditavam serem capazes de contatar ou ainda, despertar espíritos da natureza e assim operar uma “Cura no Planeta”. Alguns dos rituais do grupo eram bem pouco ortodoxos, envolvendo a utilização de substâncias alucinógenas e cerimônias de comunhão com a natureza em lugares isolados.

A despeito dos ideais do grupo, o Green Life Evolutions logo demonstrou ser mais do que um bando de ativistas ecológicos engajados; sua estrutura, funcionamento e a devoção exigida pelos líderes o fazia parecer um Culto. Com sede em Burbank, na Califórnia, o grupo possuía uma rede de filiais que se ocupava em espalhar sua mensagem, recrutar novos membros e realizar encontros. Christine mergulhou de cabeça na agenda do grupo e se tornou uma ávida participante do programa.


Os pais de Christine perceberam que a filha estava agindo de maneira cada vez mais incomum. Ela também começou a pedir dinheiro emprestado com frequência. Foi nessa época que suas ligações para a família começaram a diminuir, até que cessaram por completo. Preocupados, eles buscaram amigos e conhecidos da filha que viviam na Califórnia, e souberam que ela havia se envolvido com um grupo de pessoas estranhas que adotavam um estilo de vida alternativo. Ficaram sabendo também que ela havia trancado a matrícula na Universidade e zerado suas contas bancárias, supostamente transferindo todos os seus fundos para a Green Life Evolutions.


O pior, no entanto, é que Christine havia desaparecido do apartamento que alugava em Eureka. Semanas se passaram sem que ninguém tivesse notícias da jovem. A polícia foi contatada, mas na ausência de qualquer indício de crime, as autoridades não podiam fazer muito, além de emitir um alerta de procura.

Finalmente, na manhã de 12 de novembro de 2008, Walters reapareceu na cidade de Arcata, no sul da Califórnia. Ela bateu a porta de uma casa aleatória numa área de subúrbio, estava completamente nua e com os pés ensanguentados, tinha ainda pequenos cortes por todo o corpo. A jovem balbuciava palavras sem sentido e parecia sob o efeito de drogas, o que fez com que a família, que não a conhecia, chamasse a polícia.

Walters foi então encaminhada ao hospital mais próximo onde acabou identificada graças ao alerta emitido algumas semanas antes. É nesse ponto que sua história fica ainda mais estranha e adentra o reino do bizarro.


Christine contou à equipe do hospital que havia participado de um Ritual numa floresta e que esse aparentemente havia trazido maus resultados. Segundo a moça, um Elemental da Terra teria sido invocado, mas este, ao invés de aceitar a presença do grupo em seus domínios, reagiu de forma extremamente agressiva atacando-os. O conceito das forças elementais está presente em várias tradições xamânicas e que seguem o ideal de uma natureza consciente. Há formalmente quatro categorias de elementais (terra, ar, fogo e água) que são responsáveis pelo equilíbrio do mundo.

Eles são seres vivos formados pelo elemento que representam e segundo algumas culturas podem ser invocados através de cerimônias específicas. Um Ser Elemental segundo as crenças esotéricas, é uma força primaz e uma entidade de grande poder transformador.

Christine não tinha memória do que havia acontecido à seguir, mas se recordava de correr pela floresta com alguma coisa perseguindo ela e os demais indivíduos que participaram da cerimônia. Ela não conseguia precisar onde ou quando o ritual teria acontecido, nem mesmo o nome dos colegas que haviam tomado parte dele. Suas informações eram tão caóticas que a polícia considerou que ela poderia ter algum problema psiquiátrico.

O personagem “Monstro do Pântano” é um Elemental da Terra

Os testes de drogas e álcool deram negativo, então não estava claro sobre o que exatamente ela estava falando ou o que havia transcorrido com ela. Um profissional foi designado para entrevistá-la e ele concluiu que moça havia sofrido um forte choque, uma espécie de episódio pós-traumático. A polícia de Arcata examinou as matas próximas, mas não encontrou nenhum indício de um “ritual” como ela havia descrito. Ninguém havia visto ou ouvido algo incomum nas florestas que cobriam os arredores.


Foi somente depois que recebeu alta do hospital que Christine confidenciou à mãe alguns detalhes do que supunha ter acontecido. Ela explicou que um amigo do Culto, um sujeito que ela conhecia apenas como “Grant”, a havia convidado para participar de um ritual numa floresta fechada com mais três pessoas. O objetivo deles era invocar uma entidade da natureza. A cerimônia no entanto, acabou falhando e o que respondeu ao chamado deles não foi um Ser Elemental, mas um Demônio.

Sem dar maiores detalhes, Christine confidenciou à mãe que Grant e seus demais companheiros jamais seriam encontrados, pois eles haviam sido arrastados por esse Demônio para o Inferno. Na ocasião, ela ainda manifestou seu receio de que essas forças nefastas poderiam encontrá-la a qualquer momento. Christine estava aterrorizada e embora a mãe tenha se mostrado cética diante do que a filha contou, parecia óbvio que ela acreditava em tudo aquilo.


Christine queria voltar a Wisconsin com a família e retomar a sua vida normal. Ela disse estar muito arrependida dos acontecimentos e que desejava virar essa página de sua vida: esquecer suas escolhas desastrosas e se afastar dos demais membros da Green Life Evolution. Estes ainda tentaram entrar em contato com ela, o que motivou uma Ordem de Restrição da família para que os membros da seita mantivessem distância dela. Os advogados que representavam a seita negaram a existência de um membro chamado “Grant”. A jovem retornou a Wisconsin no início de dezembro e as coisas pareciam ter voltado ao normal, até que tomaram um novo e inesperado curso.

Em 14 de janeiro de 2009, Christine visitou uma loja copiadora perto de sua casa, parecendo um pouco desgrenhada, vestindo apenas pijama e chinelos. Os funcionários disseram que ela estava confusa e que fez algumas cópias de documentos particulares como certidão de nascimento, passaporte e carteira de motorista.

Em seguida ela perguntou onde ficava o Departamento de Trânsito (DMV) mais próximo e uma vez informada, saiu à pé. Ela foi vista em seguida à cerca um quilômetro e meio de distância, próxima de um prédio comercial, vestindo a mesma roupa. A filmagem de uma câmera de vigilância registra sua entrada na garagem, mas ninguém lembra dela no local. A última imagem que se tem, é ela se dirigindo para um corredor lateral, olhando por cima do ombro como se estivesse vendo alguém que a seguia. Depois de entrar nesse corredor ela simplesmente some sem que ninguém saiba como ela saiu do prédio.

A família, assim que deu pela ausência de Christine comunicou seu desaparecimento à polícia. A investigação preliminar falhou em determinar seu paradeiro. Sua conta bancária não teve nenhuma alteração, ela não comprou passagens em seu nome e ninguém sabia dizer para onde a mulher havia ido. Desesperada a família buscou a imprensa e fez um apelo pedindo que qualquer pessoa com informações sobre a jovem viesse à público. A foto dela foi estampada nos principais jornais do país. À pedido da família, filiais da Green Life Evolution foram revistados e membros interrogados, mas ninguém sabia dizer onde ela poderia estar.


O caso de Christine Walters se transformou num Enigma.
Até hoje, não há nenhuma pista sobre o que aconteceu com ela, nenhuma informação verificada, nada que possa dizer se ela está viva ou morta. Ela parece ter simplesmente evaporado da face da Terra. Alguns amigos mais íntimos disseram que Christine após retornar à Wisconsin nunca mais foi a mesma moça inteligente e amigável de antes das experiências com a Seita na Califórnia. Ela parecia assustada, triste e ansiosa.

Após seu retorno, ela passou a se consultar com um psiquiatra e tomar remédios pesados, prescritos para que ela pudesse lidar com um quadro agudo de depressão. Foi teorizado que a “cerimônia de limpeza” e os efeitos prolongados da ayahuasca possam ter causado algum surto psicótico, mas seu teste para drogas e álcool sempre deram negativo.

Os pais de Christine sempre acreditaram que a filha foi sequestrada por membros da Green Life Evolution. Sobre isso, sua mãe declarou em uma entrevista em 2013:


“Acredito que minha filha confiou demais nas pessoas que conheceu na Califórnia. Ela não conhecia essas pessoas ou sabia no que elas estavam envolvidas. Eu sei que há muitos jovens adultos que procuram por um sentido na vida, algo maior e acabam sofrendo um tipo de lavagem cerebral nas mãos de cultos ou seitas. Minha filha sempre foi uma jovem brilhante. Não sei explicar em que momento ela foi levada para esse outro caminho, mas sei que ela jamais iria sumir desse modo sem que alguém a obrigasse a fazê-lo. Eu tenho esperança que ela apareça um dia, que consiga escapar de seja lá onde está, e que venha até nós… pois nós a receberemos de braços abertos.”


Em 2014, uma bolsa com documentos pertencentes a Christine Lindsey Walters foi encontrada numa reserva florestal nos arredores de Arcata. A bolsa estava largada na mata e foi achada por um frequentador do parque que a devolveu. Em seu interior, além de roupas e objetos reconhecidos como pertencentes a Christine, havia uma embalagem de remédios prescritos para um tal Edward Franklin Grant, supostamente o indivíduo misterioso que teria conduzido a cerimônia de invocação. A polícia investigou essa pessoa e descobriu que Edward Grant, nascido em Dale, Nebraska em 1981, se encontrava desaparecido desde 2009.


O caso bizarro permanece em aberto, as autoridades continuam procurado Christine Walters e Edward Grant mas até o presente momento nenhuma informação sobre o paradeiro deles foi obtida pelos canais oficiais. A família chegou a contratar investigadores particulares mas nenhuma pista de seu foi levantada.

Até mesmo médiuns e investigadores psíquicos foram consultados e estes após visitar a Reserva Florestal em Arcata disseram ter sentido uma forte presença no lugar – algo maligno. Em 2018, a Green Life Evolutions encerrou suas atividades e a última sede da organização fechou suas portas em 2020.
Para todos os efeitos, a jovem segue desaparecida e a Família Walters continua esperando por qualquer informação que possa levá-los a saber o que houve com sua filha.