“Se você puder me ver, então comece a chorar”, alerta uma inscrição datada de 1616 que ficava escondida nas águas do rio Elba.”

Rochas que antes estavam submersas pelas águas de rios na Europa estão ressurgindo à medida que a seca passa a atingir com cada vez mais força o continente. França e Espanha, por exemplo, já alertaram a população para os impactos da seca severa.

As chamadas “Pedras da Fome”, que começaram a emergir em 2018, alertam os europeus para um passado de grande dificuldade. Os registros começaram a ser feitos no século 15 em regiões encobertas pelos principais rios do continente.

Outra pedra avisa: “Se você vir essa pedra de novo, vai chorar. A água estava baixa até aqui no ano de 1417”. Já uma terceira, mais otimista, diz: “A vida florescerá novamente quando esta pedra desaparecer”.

Inscrição em pedra em rio na Europa / Crédito: Von Dr. Bernd Gross via Wikimedia Commons

Segundo o UOL, uma pesquisa publicada em 2013 por especialistas da República Tcheca apontam que as pedras possuem os seguintes anos inscritos: 1417, 1616, 1707, 1746, 1790, 1800, 1811, 1830, 1842, 1868, 1892 e 1893.

Com as secas mais recentes, que já fizeram com que os governos francês e espanhol decretassem a necessidade de um racionamento, 12 “Pedras da Fome” já ressurgiram na Europa.

Períodos de dificuldade

O nome não é por acaso: a seca fez com que o continente sofresse com períodos de dificuldade extremos causados pela destruição de plantações e dificuldade de transporte de alimentos devido à seca dos rios, o que levava à pobreza e carestia.

Na Alemanha, onde muitas dessas inscrições são encontradas — além da República Tcheca — esses avisos do passado ficaram conhecidos como “Hungersteine”, que pode ser traduzido para o português como “Pedras da Fome”.