Crânio de cristal é uma série de esculturas de crânio humano esculpidas em quartzo rosa ou leitoso, artisticamente conhecido como “cristal de rocha”, as quais alega-se, por seus descobridores, serem artefatos pré-colombianos da Mesoamérica. No entanto, nenhum dos exemplares disponíveis para estudo científico foi autenticado como pré-colombiano de origem.

Resultados de estudos demonstraram que os exemplares examinados foram fabricados em meados do século XIX ou mais tarde, provavelmente na Europa. Apesar de algumas reivindicações no sentido de popularização literária, as lendas dos crânios de cristal com poderes místicos não figuram na genuína mitologia mesoamericana ou de outros nativos americanos.

Os crânios são frequentemente alegados como representantes de fenômenos paranormais por alguns membros do movimento da Nova Era, e têm sido muitas vezes retratados como tal na ficção; além disso, têm sido um tema popular que aparece em numerosos representantes de ficção científica em séries de televisão, romances e videogames.

Os crânios de cristal fazem parte de um enigma da tecnologia antiga e o que intriga mais os pesquisadores sobre esses objetos é o modo como eles teriam sido feitos. Um dos conjuntos ficou conhecido como Mitchell-Hedges, por ter sido encontrado em 1927 por F. A. Mike Mitchell-Hedges, um arqueólogo nascido em 1882, e que dedicou sua vida à aventura – muitas delas relatadas no livro Danger My Ally, publicado em 1954.

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Apesar de terem sido feitos vários estudos, não se sabe com precisão a idade dos crânios, mas os laboratórios de Hewlett-Packard, que estudaram os objetos, estimaram que sua confecção teria exigido no mínimo 300 anos de trabalho de diversos artesãos hábeis. Outras curiosidades chamaram a atenção dos pesquisadores sobre os crânios, um deles teve a peça da mandíbula extraída de um mesmo bloco de cristal e, quando as duas peças se encaixam, o crânio se mexe sobre a base da mandíbula, dando a impressão de fala enquanto se abre e fecha o conjunto da boca.

Algumas lendas dizem que o lobo frontal fica turvo, chegando às vezes a ficar leitoso. Em algumas ocasiões, o crânio chegaria a emitir uma “aura luminosa”. Segundo Frank Dowland, cristalógrafo da Hewlett-Packard, às vezes, formaram-se figuras dentro do crânio, como imagens de discos voadores e de algo que parece ser o observatório Caracol, no sítio maia-tolteca de Chichén Itzá.

O mais famoso

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Lubaantun é o nome de uma cidade maia do sul do Belize, datada entre 700 e 900, cujas escavações o aventureiro britânico Frederick Albert Mitchell-Hedges visitou nos anos 20 do século passado.

Sua filha adotiva, Anna Mitchell-Hedges, fez ali em 1 de janeiro de 1924 um descobrimento que ia mudar sua vida. Um objeto brilhante que cintilava entre as pedras da pirâmide e, no dia em que fazia 17 anos, haviam retirado rochas suficientes para alcançar o objeto. Era o “crânio de cristal”.

O Crânio do Destino, como também é chamado, é de cristal de rocha puro e, segundo os cientistas, fazê-la deve ter levado 150 anos, geração depois de geração, trabalhando todos os dias de suas vidas, esfregando com areia um imenso bloco de cristal de rocha até que finalmente emergiu o crânio perfeito. Tem ao menos 3.600 anos e, de acordo com a lenda, o grande sacerdote dos maias a utilizava na celebração de ritos esotéricos.
Formada por dois blocos de quartzo (o crânio e a mandíbula), a jóia que mede 13,3 centímetros de altura e de comprimento, e pesa 5 quilogramas, parece uma realização impossível para os Maias desaparecidos.
Dizem que, quando invocava a morte com a ajuda da caveira, a morte sempre acudia. É considerada a encarnação de todo mal”, escreveu Frederick em 1954 em Danger My Ally (Perigo, Meu Aliado), sua autobiografia.
Para os observadores científicos, o mistério essencial do crânio e de caráter logístico: como apareceu ele no templo maia de 1000 anos de idade onde foi encontrado?

Prismas ocultos na base e lentes polidas à mão inseridas nos olhos combinam-se para produzir uma luminescência ofuscante.
No entanto, os investigadores não descobriram quaisquer provas de que o crânio tivesse sido executado com utensílios modernos. De fato, a estrutura cristalina do crânio não foi respeitada quanto a criação do mesmo, o que elimina a hipótese de intervenção de qualquer lapidário moderno. Será o crânio uma prova de que a tecnologia maia estava consideravelmente mais avançada do que geralmente se supõe?

Anos depois, o crânio foi examinado nos laboratório de cristais da Hewlett-Packard e, em seguida, pelo arqueólogo especializado na civilização maia Norman Hammond, que afirmou que seus buracos apresentavam sinais de terem sido feitos com ferramentas metálicas.

O pai de Anna, o escritor F.A. Mitchell-Hedges, menciona o crânio na primeira edição da sua autobiografia “Danger, My Ally” (O Perigo, Meu Aliado, na tradução), de 1954, na qual ele declara: “(o crânio) tem, ao menos, 3.600 anos de idade e era utilizado pelo Sumo Sacerdote maia em rituais esotéricos. Diz-se que quando ele desejava a morte com a ajuda do crânio, esta ocorria invariavelmente”. Curiosamente, as reedições sucessivas do livro não incluem essa passagem.

Desde a sua descoberta, o artefato tornou-se objeto de debate em muitos círculos da academia, com pesquisadores incapazes de entender seu uso ou como foi feito. Isso não foi impedimento para as pessoas que atribuíram capacidades milagrosas ao crânio.

A primeira prova das habilidades místicas do crânio de cristal é provavelmente a própria Anna, que viveu para ver 100 anos, atribuindo sua longevidade e bem-estar a este artefato estranho.

Outras pessoas que entraram em contato direto com o crânio alegaram ter recebido orientação, como se uma força maior e conhecedora se comunicasse com eles através do crânio de cristal. Aqueles que tiveram a oportunidade de gastar longos períodos de tempo com o crânio relataram uma aura ocasional ao redor do item, bem como músicas benevolentes emitidas por ele. Assim como a lenda descreveu, o crânio ” falou e cantou “.

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Outras pessoas descreveram ter visões de eventos cerimoniais e vários sites sagrados ligados à linha de tempo da Terra. Eles testemunharam a passagem do tempo, e como os mares baixaram e surgiram, a deriva continental, a morte e o renascimento. Outro conto curioso narrado por várias pessoas que entraram em contato com o crânio é o de uma nave espacial que atravessa o espaço.

Algumas dessas reivindicações milagrosas de rejuvenescimento e habilidades psíquicas expandidas foram documentadas por Joshua Shapiro no livro que ele co-autor: Mistérios dos Crânios de Cristal Revelados.

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Alguns estudiosos do paranormal afirmam que os crânios de cristal podem provocar inúmeros fenômenos e milagres: causar visões, curar o câncer e até causar a morte das pessoas. Anna diz ter visto no seu uma premonição do assassinato de John F. Kennedy. Uma lenda indica que somente reunindo os treze crânios que existiram no mundo se evitará uma catástrofe prevista pelo calendário maia.

Há autores shamanistas que relacionam os crânios de cristal a tradições dos nativos norte-americanos; outros a histórias da mítica Atlântida.

Mas nenhuma dessas teorias possui respaldo científico, apesar de continuarem a atrair muitas pessoas ao redor do mundo. Isso mostra apenas que esses crânios, sejam ou não pré-colombianos e estejam ou não dotados de poderes mágicos, têm um magnetismo indiscutível.

Modelos de Cranios descobertos

Crânio de Mitchell-Hodges

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Peça dupla de quartzo transparente. Pesa 5 quilos. Foi descoberto em Belize, nas ruínas de uma cidade maya, por Franck Mitchell-Hedges. Atualmente, está em Toronto, no Canadá, com Ana Mitchell-Hedges, filha adotiva de Franck. O cristal é uma cópia perfeita do crânio humano, exceto pelas têmporas, de forma circular.

Max, o crânio do Texas

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 Peça única de quartzo transparente. Pesa 8 quilos. Foi doada ao Parque de Houston, Texas, por um monge tibetano, que por sua vez o recebeu como presente dos habitantes de uma pequena vila na Guatemala. Desde o ano passado, Max tem sido usado em cerimônias religiosas dos índios norte-americanos.

O crânio inglês

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Peça única de quartzo transparente. Acha-se no Museu Britânico do Homem, em Londres, desde 1898. Foi encontrado no México, em 1890, por um caçador de tesouros. É mais sombrio do que o crânio de Mitchell. A face direita está deformada.

O crânio de Paris

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– Peça única de quartzo transparente. Também foi encontrado no México, em 1890. Acha-se agora no Museu Trocadero, em Paris. Possui as mais primitiva das faces de todos os crânios pesquisados.

Tem um corte de cima para baixo, em forma de cruz.

O crânio violeta

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 Peça única, esculpida em ametista. Foi achado em um depósito de artefatos maias por um membro de uma fraternidade secreta do México, em 1900. Está no Texas e à venda.

Difere dos outros pela sua têmpora circular e uma faixa branca em torno de sua parte superior.

O crânio maia

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 Peça única de quartzo transparente, encontrada na Guatemala, em 1912, semelhante ao crânio de ametista.

Seu paradeiro atual é desconhecido.

O crânio “ET”

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Peça única de quarzo opaco, descoberto no povoado de uma família maia na América Central, por volta de 1900.

A fronte é ponteaguda e os dentes são projetados para a frente.

O crânio peruano

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Foi encontrado no nordeste do Perú.

Peça única de quartzo transparente, azulado na região dos olhos. Acha-se em mãos de uma tribo primitiva naquela região peruana.