Barsa-Kelmes, uma ilha assustadora sem retorno, já foi uma ilha no Mar de Aral. Devido às alterações naturais, não sobrou água, e Barsa-Kelnes tornou-se um planalto na região de Kyzylorda, no Cazaquistão. Mas as pessoas ainda lhe chamam ilha. Oficialmente, ninguém vive na ilha. Barsa-Kelmes, traduzido da língua turca, significa “quem lá vai não regressa”.

O famoso dramaturgo e escritor inglês William Shakespeare disse em certa ocasião que “há mais coisas entre o céu e a terra do que pode imaginar nossa vã filosofia”, o que poderia facilmente fazer alusão ao mistério em torno de Barsa-Kelmes, que é uma das mais de 1.500 ilhas existentes no Mar Aral, Ásia Central, que pertencia a ex-URSS. No idioma cazaque o nome da ilha traduzido significa “terra sem retorno”, e há motivos intrigantes para que de fato a ilhota seja chamada assim.

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Há décadas, Barsa-Kelmes não tem habitantes e as condições climáticas locais, como que para proporcionar uma pitada de mistério, envolvem a topografia em uma névoa espessa e constante.

Hoje a ilha está deserta, seus últimos habitantes a deixaram décadas atrás. A terra está envolvida em uma névoa perene e densa, mantendo as coisas estranhas que acontecem neste lugar escondidas de olhares curiosos.

Por causa desses eventos misteriosos e regulares, as pessoas que moram perto de Barsa-Kelmes se convenceram de que a ilha serve como passagem entre as dimensões, ou seja, estão convencidas de que existe uma espécie de portal estelar ou portal dimensional.

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Diz-se que a ilha é povoada por criaturas incomuns que parecem vir de outra linha do tempo ou uma dimensão paralela. Os moradores locais afirmam ter visto grandes animais parecidos com pássaros vagando pela ilha (em alguns lugares anômalos pássaros gigantes são frequentemente avistados e reportados), serpentes marinhas nadando nas águas perto deles e animais gigantescos com longos pescoços que às vezes surgem de dentro do nevoeiro. Muitos dos que vieram a ilha ou ao redor dela desapareceram, e nunca mais foram vistos.

A ilha de Barsa-Kelmes é atormentada por algo mais que criaturas misteriosas, mas também por um número de fenômenos inexplicáveis que ocorrem precisamente neste lugar o tempo todo. Os relógios de repente param de funcionar, as agulhas da bússola enlouquecem apontando para todas as direções, e até o fluxo do tempo acelera e desacelera.

Dizem as lendas que, no século XIII, a ilha era usada como refúgio pelos habitantes locais, tentando escapar da invasão mongol. No entanto, quando os refugiados voltaram para suas terras, ficaram surpresos ao ver que, sua terra natal havia mudado como se estivesse fora por décadas, mesmo tendo passado somente alguns meses.

Outro incidente semelhante ocorreu em tempos mais recentes. A ilha é mais quente do que a área circundante e, durante um inverno particularmente rigoroso em 1959, alguns pensaram que era uma boa ideia usá-lo como um santuário de inverno – e foi exatamente o que foi feito.

Mas a primavera chegou e, como ninguém voltou do local, seus parentes organizaram uma busca. Quando chegaram à ilha, metade permaneceu na margem enquanto a outra metade entrou completamente dentro da ilha. Os dias se passaram sem sinais do retorno do outro grupo, então o restante que ficou na margem decidiu chamar as autoridades.

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O governo soviético enviou um avião para escanear a área, mas, enquanto atravessava o nevoeiro, os instrumentos a bordo começaram a falhar um a um e ambos os motores se chocaram. Os dois pilotos conseguiram fazer um pouso de emergência e em seu último comunicado de rádio, os homens descreveram objetos elípticos flutuando silenciosamente dentro e fora da neblina.

Depois disso, houve silêncio no rádio e o avião desapareceu. Não muito tempo depois as operações de resgate evitaram enviar outro avião, mas as mesmas autoridades enviaram um um tanque, conectado a um longo cabo de metal. A tripulação foi ordenada a não deixar o veículo e manter sempre os canais de comunicação abertos. Eles conseguiram fazer isso por um tempo, mas depois o rádio ficou em silêncio novamente.

O tanque foi levado para uma base temporária estabelecida na costa. Ele estava vazio e coberto com uma substância semelhante a gelo. As amostras foram levadas para um laboratório em Moscou, mas os pesquisadores que as examinaram não puderam identificar a substância incomum.

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No final dos anos 80, um mecânico de navios chamado Timur Dzholdasbekov descreveu como se deparou com uma base militar durante uma de suas viagens ao lugar enigmático. Ele alegou que no dia seguinte, ele retornou com um amigo, e os edifícios haviam simplesmente desaparecido. Planos para uma expedição científica à Barsa-Kelmes foram traçados em 1991, mas o colapso da URSS causou outras preocupações e a empresa ficou de fora.

Incidentes como esses transformaram a ilha em um lugar chave na tradição ufológica, convencendo muitos investigadores de fenômenos misteriosos de que o local abriga uma base extraterrestre. O pesquisador ufológico russo Vadim Chernobrov estudou os mitos que cercam Barsa-Kelmes e suspeita que o nevoeiro possa ser uma espécie de mecanismo de defesa avançado contra intrusões indesejáveis. Falando em intrusões, o acesso à ilha é estritamente proibido